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'Um choque e já não senti as pernas': como jovem ficou tetraplégica no mar

Karina Castellanos ficou paraplégica após pegar onda em Ilhabela (SP) - Reprodução/Kickante
Karina Castellanos ficou paraplégica após pegar onda em Ilhabela (SP) Imagem: Reprodução/Kickante

Thiago Tassi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/03/2019 04h01

Senti um choque muito forte e na hora já não senti minhas pernas. Tentava com os braços sair da água e não tinha força. Meus braços mexiam um pouco, só que estavam muito fracos. 

O relato é de Karina Neustadter Castellanos, 24, que ficou tetraplégica após pegar um "jacarezinho" -- movimento em que o banhista pega impulso e se deixa levar pela onda, como se surfasse sem prancha. 

Desde quando recebeu alta do hospital, em 16 de fevereiro, ela mora em Santos, sua cidade natal, com os pais e os avós e conta com o apoio de familiares e amigos. A família organizou uma campanha virtual para bancar o tratamento.

"Tomei um caldo da onda. Girei, e minha nuca bateu na areia. Como a água era clara, fiquei de olhos abertos e vi o fundo de areia. Nisso acho que veio uma onda, que me virou, e eu consegui pegar fôlego. Meu namorado veio correndo para me salvar", contou.

Após a perda dos sentidos, Karina foi socorrida e levada para um hospital em Ilhabela, onde passava as férias de janeiro com namorado, Sandro Reis, da sogra e da cunhada. Devido à gravidade da lesão, foi transferida para um hospital em São José dos Campos (SP), referência neste tipo de trauma.

Acidente em ambiente conhecido

Natural de Santos, a jovem diz que tinha familiaridade com o mar. Ela conta que passou grande parte da infância na praia, tinha o hábito de mergulhar e tocar o chão sob o mar. 

"Não tinha muitas ondas. Foi um acidente muito besta. Às vezes eu fico me perguntando por que isso isso aconteceu. Já fui em mar de ressaca, bravo, já tomei muitos caldos, e não dá para entender o porquê (do acidente). Não dá para entender", disse.

Karina teve uma fratura na vértebra C6, próxima ao pescoço, e o acidente a fez mudar de cidade. 

A jovem está no penúltimo ano do curso de administração e morava em São Paulo, onde trabalhava com o tio Guilherme Monteiro.

"Estou na cama, fazendo fisioterapia. Eles (fisioterapeutas) vêm aqui todos os dias, eu vou para o Lucy Montoro (centro de reabilitação). Tenho esperança de que vou voltar a andar. Não quero ficar aqui nessa cama", contou.

Família busca ajuda financeira

A campanha organizada pela família de Karina para arrecadar fundos para o tratamento tem o objetivo de levantar R$ 70 mil.

A mãe da jovem, Cristina, abriu mão do trabalho para cuidar da filha.

"Eu queria lançar a campanha e aí fiz uma conta rápida, mas errei de longe. R$ 70 mil para um ano de tratamento é pouco, dobra facilmente. Só de fisioterapeuta é R$ 40, 50 mil. Todo dia tem que fazer fisioterapia", disse Guilherme, tio da garota.

Médico alerta sobre acidentes na água

Ao UOL Gilmar Saad, neurocirurgião da Aliança Instituto de Oncologia, em Brasília (DF), ressaltou que choque em pedras, bancos de areia e regiões similares pode machucar a medula e interromper o contato do cérebro com os braços e pernas. Ele ainda fez uma alerta sobre acidentes envolvendo água e orientou que as pessoas não mergulhem em locais que não conhecem.

"Nunca mergulhe onde não conhece, não sabe a profundidade, o que tem embaixo ao certo e se ingeriu álcool", pontuou o médico.

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