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Prioridade é salvar o cigarro, brinca comerciante ao ser resgatado em SBC

Talita Marchao e Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Bernardo do Campo (SP)

12/03/2019 12h19

Enquanto era resgatado pelo Corpo de Bombeiros na manhã de hoje, mais de 36 horas depois do temporal que atingiu São Paulo e a região metropolitana, o comerciante Rivadevel Lúcio de Pinho, 61, não perdeu o bom humor. "A prioridade é salvar o cigarro, eu estou doido para fumar", disse, enquanto descia do bote em uma das ruas do bairro Rudge Ramos, um dos mais afetados em São Bernardo do Campo.

Na noite de domingo, a água invadiu a casa do comerciante e passou de 1,70 m --a altura dele. "Nadei, cheguei a mergulhar e subi até a casa do vizinho, um sobrado", contou Rivadevel. Segundo ele, ainda há "muitas pessoas" no local aguardando resgate. "Todo mundo correu para lá porque era mais alto".

Rivadevel se manteve no abrigo porque tinha esperança de que a água baixasse logo, mas a fome e a vontade de fumar venceram. "Convivi 18 anos com enchentes em São Caetano do Sul [cidade vizinha, também fortemente atingida pelas enchentes]. Mas poucas vezes vi a água subir tanto e tão rápido", disse.

O comerciante disse ter perdido tudo --menos a televisão, que deixou boiando sobre um colchão. "Estava sequinha até a última vez que a vi". Rivadevel lamentava não ter encontrado a carteira com os documentos, mas saiu do bote carregando sacos plásticos com alguns pertences. "O dinheiro está molhado, mas consegui pegar. A caixa de cigarro chegou a boiar, mas está tudo seco", comemorava ele, acendendo o seu primeiro cigarro desde a noite de domingo.

Testemunhas relatam que ainda há famílias dentro das casas das seis ruas ainda alagadas. A equipe de reportagem acompanhou um homem que enfrentou as águas para levar produtos de limpeza para a irmã, que estava olhada dentro de casa há mais de 36 horas.

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Na casa de Emerson e Fátima, o dia seguinte às chuvas em São Bernardo do Campo (SP) é de muito trabalho e limpeza
Imagem: Talita Marchao/UOL

Voluntários usam caiaques para levar alimento para as famílias que estão sem comer. "Tinha uma família com três crianças que estavam sem comer desde domingo. Levamos hoje pão com manteiga e duas garrafas de café", disse a estudante Juliana Reviere, de 22 anos.

Um representante de uma igreja evangélica estava oferecendo marmitas para quem estava sem comer, além de roupas, calçados e cestas básicas.

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