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Polícia prende suspeitos de matarem jovem desaparecida há pelo menos 5 anos

Divulgação/Polícia Civil
Imagem feita pela polícia de como Jennifer Tyfany Veiga Pires seria hoje, aos 24 anos Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Pauline Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio

2019-05-24T19:02:27

24/05/2019 19h02

Um homem foi preso na manhã de ontem em Rio das Ostras (RJ) suspeito de assassinar a companheira, desaparecida pelo menos desde 2014, com a ajuda do irmão dele, policial militar.

Segundo a Polícia Civil, Steve Jonathan Lopes Barbosa e Erik Johnson Lopes Barbosa (PM) teriam matado e escondido o corpo de Jennifer Tyfany Veiga Pires.

Em 2008, a mãe da vítima, a comerciante Gláucia Veiga Pires, foi surpreendida quando a filha Jennifer Tyfany, então com 14 anos, revelou que estava grávida e que o pai era Steve, à época com 19 anos, vizinho do bairro.

Ao saber que seria pai, Steve, segundo Gláucia, passou a insistir com a namorada para que eles morassem juntos. Apesar da desaprovação da família, a adolescente se mudou para a casa do rapaz e, a partir daí, começaram os problemas.

"Foi se passando o tempo, 15, 20 dias, e nada da minha filha. Eu ligava e nada, diziam que ela não estava em casa. Ela me procurava pouquíssimas vezes e sempre com o Steve. As atitudes dela foram mudando, o carinho, ela foi ficando diferente", lembra a mãe.

Sempre que a família tentava contato com Jennifer, de acordo com Gláucia, Steve criava problemas. A situação persistiu após o nascimento do segundo filho da adolescente, nada melhorou.

Os pais da garota se mudaram de bairro e continuaram sem vê-la. Até que, em 2014, pelas redes sociais, descobriram que Steve tinha uma nova namorada e passaram a buscar explicações.

Gláucia Veiga Pires procurou a delegacia, que inicialmente disse não poder ajudar, e depois o Conselho Tutelar, que decidiu avaliar as condições das crianças. Na visita, a conselheira descobriu que Jennifer Tyfany já não morava com o namorado e que, segundo ele, ela havia ido embora de casa.

O caso progrediu na 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras a partir de 2017, quando uma testemunha-chave apareceu. Segundo ela, em 2011 ou 2012, os irmãos teriam aparecido em sua casa com as roupas manchadas de sangue e pedido para que essa testemunha escondesse as peças.

Eles teriam relatado o assassinato e esquartejamento da jovem, cujo corpo teria sido jogado em um rio.

Agora, dois anos depois, os irmãos foram presos, o que para os pais de Jennifer é apenas o começo de uma longa jornada, especialmente na busca pelo corpo da jovem, que hoje teria 24 anos.

Glaucia foi avisada da operação policial pelo delegado Ronaldo Cavalcanti, quando ele se dirigia para a casa dos suspeitos.

"Eu já luto há muitos anos para que Justiça seja feita. Na hora que ele me ligou foi um choque, a gente não quer acreditar, fica na esperança de que o telefone toque para falar que a filha da gente apareceu", contou ao UOL.

"Espero justiça e que toda a verdade apareça. Sobre os meus netos, vou lutar para pegar a guarda", afirmou Glaucia, que briga pela custódia das crianças com os avós paternos.

Irmãos negam crime

O delegado Ronaldo Cavalcanti disse que os suspeitos estão detidos temporariamente por 30 dias. Segundo ele, a prisão foi necessária para que as testemunhas fossem ouvidas sem temerem represálias, já que um dos irmãos e o pai deles são policiais militares.

Cavalcanti acredita que Jennifer Tyfani já está morta desde 2011 ou 2012.

Os irmãos negam o crime e afirmam que ela foi embora de casa em 5 de maio de 2014. "Eles não conseguem explicar o fato de ela ter ficado três anos sem aparecer. Não tem vida social, não tem Facebook, não tem amigos", apontou ao portal UOL.

Ele contou que a jovem era mantida sem qualquer contato com a família porque o pai de Eric e Steve tinha um relacionamento conturbado com a família da garota e teria chegado a ameaçar o pai de Jennifer com uma arma de fogo.

Eric foi transferido para o Batalhão Especial Prisional, em Niterói, na região metropolitana do Rio. Segundo a Polícia Militar, ele já prestou depoimento à Polícia Civil e à 6ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, que também vai apurar o caso na esfera da corporação.

Steve, o ex-companheiro da vítima, deve ser transferido para uma cadeia pública apenas no fim de semana. Por enquanto, continua na 128ª DP para depoimentos e acareações.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos, mas ressalta sua disposição em ouvi-la.

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