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Barão de Cocais: deslocamento de talude de mina aumenta e chega a 20 cm

Luciana Quierati

Do UOL, em Barão de Cocais

2019-05-26T09:33:11

2019-05-26T18:23:59

26/05/2019 09h33Atualizada em 26/05/2019 18h23

O deslocamento do talude (parede de contenção) norte da cava da mina do Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), permaneceu hoje a uma velocidade de até 20 cm por dia, marca registrada em pontos isolados. É o que aponta o último boletim da ANM (Agência Nacional de Mineração), divulgado às 18h.

A única alteração na comparação entre o relatório do início da manhã e o de agora, quase mínima, foi na porção inferior da estrutura, em que a velocidade da rachadura passou de 15,5 cm/dia para 15,8 cm/dia.

Desde a semana passada, os moradores de Barão de Cocais, a 100 km de Belo Horizonte, vivem a perspectiva de rompimento do talude, que pode afetar a barragem localizada a 1,5 km da cava da mina.

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Previsão era sábado

O cálculo inicial da Vale, dona do complexo minerário, era de que o talude pudesse cair até ontem, o que não aconteceu. O impacto poderia gerar vibrações e afetar a barragem Sul Superior, com 6,8 milhões de m³ de rejeitos de minério, embora a mineradora afirme que não há elementos técnicos indicando que isso possa acontecer.

Na sexta, o coordenador-adjunto da Defesa Civil do estado, Flávio Godinho, explicou que o "prazo" de queda era apenas uma projeção, mas que é fato que o talude irá se romper a qualquer momento dentro dos próximos dias.

Áreas em risco

De acordo com a ANM, todo o talude norte tem cerca de 10 milhões de m3 de material rochoso. Desse todo, pouco mais de 3 milhões de m³ é que vêm apresentando rachaduras e vai cair na cava da mina, que tem 120 metros de profundidade e está alagada desde que a mina foi desativada em 2016.

A cidade de Barão de Cocais tem cerca de 32 mil moradores, dos quais 6.000 estão na área que pode ser atingida pela lama a partir de 1h12 de um possível rompimento --outros 500 já foram foram evacuados em 8 de fevereiro porque suas propriedades ficavam em áreas mais próximas, logo abaixo da barragem.

A onda de rejeitos também poderia chegar, segundo estudo de impacto da Vale, a Santa Bárbara, a 13 km de Barão de Cocais, e a São Gonçalo do Rio abaixo, distante 26 km.

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