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Mesmo com críticas de Bolsonaro, Parada LGBT deve receber 12% mais turistas

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Parada Gay em São paulo em 2018 Imagem: Getty Images

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

2019-06-21T04:00:00

2019-06-21T09:30:12

21/06/2019 04h00Atualizada em 21/06/2019 09h30

Mais de três milhões de pessoas são esperadas para cruzarem a avenida Paulista, em São Paulo, no próximo domingo, durante a 23ª edição da Parada do Orgulho LGBT segundo a organização. Com o tema "50 anos de Stonewall", o evento deve registrar aumento de 12% a 15% no número de turistas na cidade, segundo a SPTuris, apesar das críticas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao turismo LGBT.

A expectativa de crescimento, assim como a ampliação de todo o turismo LGBT no Brasil, vai de encontro às declarações do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou, no final de abril, que o Brasil "não pode ser o país do mundo gay". Em maio, o governo retirou o incentivo ao turismo LGBT do Plano Nacional de Turismo.

De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo da capital paulista, a Parada movimentou R$ 288 milhões durante o fim de semana de 2018. Em uma pesquisa feita em 2017, estimou-se que cada visitante ficou em média dois dias e gastou cerca de R$ 1.100.

Neste ano, a Paulista receberá 19 trios elétricos com atrações nacionais e internacionais, além de diferentes atividades programadas para todo o feriadão de Corpus Christi. Na sexta, por exemplo, haverá a 2ª Marcha do Orgulho Trans de SP na sexta e, no sábado, o Walking Tour São Paulo LGBTT, que pretende mostrar pontos da cidade que tenham relação com a comunidade LGBT.

Entre as atrações estarão a ex-Spice Girl Mel C, Iza, Gloria Groove, Aretuza Love, Luiza Sonza, entre outros. A cidade também terá sessões de cinema sobre o tema, o Miss Brasil Gay 2019 e até a Cãominhada da Diversidade (20).

Cidade se orgulha de sua Parada, diz prefeito

Cerca de 3 em cada 4 participantes do evento é da capital paulista. "Não posso falar em números exatos, mas tem aumentado muito [a quantidade de turistas]. No ano passado já tivemos uma questão de logística na alocação de ônibus. Muitos grupos fazem bate-volta", afirma Clóvis Casemiro, coordenador do Brasil da IGLTA, principal associação para a promoção do turismo LGBT no mundo.

No ramo de turismo há 40 anos e presente na organização da Parada desde a primeira, em 1997, Casemiro diz que a tendência é de crescimento, apesar da crise econômica. "São Paulo virou um bom destino gay, dos mais procurados do mundo. Em época de Parada, os hotéis estão cada vez mais cheios", afirma ele, sem precisar o aumento.

O evento tem o patrocínio de grandes empresas, como Burger King, Uber e Amstel, além do apoio da prefeitura e do governo do estado. Neste ano, a prefeitura da capital investiu R$ 1,8 milhão. Não há investimento do governo federal no evento.

"A cidade se orgulha da sua Parada e a prefeitura colabora no que for possível. É uma questão estratégica na gestação de emprego e renda na cidade. No ano passado, trouxe um impacto econômico estimado em R$ 288 milhões", afirmou o prefeito Bruno Covas (PSDB) durante a coletiva sobre o evento, nesta semana.

Falta visibilidade ao turismo LBGT, diz associação

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é o principal evento de turismo LGBT no Brasil e um dos maiores do mundo, mas não é o único atrativo. Uma pesquisa divulgada no Fórum de Turismo LGBT pela IGLTA, em abril, mostra que, em 2017, este segmento cresceu 11% enquanto o turismo no geral cresceu 3,5%.

Isso é resultado de uma melhoria da imagem do Brasil como destino para este segmento lá fora. "Quando a gente fala de turismo, países e cidades que se mostram mais tranquilos para turistas LGBT são, naturalmente, mais procurados", argumenta. Por isso, diz ele, as declarações do presidente se mostram tão "preocupantes".

Em abril, o presidente afirmou que o Brasil "não pode ser um país do mundo gay, de turismo gay". "Temos famílias", justificou. Segundo ele, se alguém "quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade".

Casemiro não acha que a declaração atrapalhará a vinda de visitantes. Ele argumenta que, por entenderem que as falas não representam o Brasil, o número de visitantes não deve cair. "Não é tão automático quanto as pessoas imaginam, turismo precisa de planejamento e o turista LGBT se comunica muito antes de viajar. No fim, a gente acabou tendo uma visibilidade positiva, vários órgãos se manifestaram."

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