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Casal que arrastou vendedora de balões por 150 m será indiciado por roubo

17.jun.2019 - Vendedora de balões Marina Izidoro de Morais, 63, mostra os ferimentos após ser arrastada por um carro no DF - Jéssica Nascimento/UOL
17.jun.2019 - Vendedora de balões Marina Izidoro de Morais, 63, mostra os ferimentos após ser arrastada por um carro no DF Imagem: Jéssica Nascimento/UOL

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/06/2019 21h02

O motorista que arrastou por 150 metros a vendedora de balões Marina Izidoro de Morais, 63, no dia 15 em frente a um colégio particular de Taguatinga Sul, a 20 km do centro de Brasília, vai ser indiciado por roubo. De acordo com a Polícia Civil, a passageira que estava com ele no carro também responderá pelo mesmo crime.

Em depoimento, o motorista disse que resolveu fazer uma brincadeira e não percebeu que a idosa havia ficado presa ao carro, um Mercedes. Segundo o delegado da 12ª Delegacia de Polícia, os suspeitos Willian Weslei Lelis Vieira e Larissa Alves de Andrade da Cunha, se condenados, podem pegar de 5 a 13 anos de prisão cada um.

"Os dois foram indiciados pelo crime de roubo, com aumento de pena pelo concurso de pessoas, tendo em vista que, pelas diligências realizadas pela 12ª DP, restou comprovado que ambos, agindo de comum acordo e com divisão de tarefas, subtraíram os balões da vítima. O inquérito policial está em fase final e, em breve, será encaminhado ao Poder Judiciário para análise", disse o delegado Paulo Almeida.

Ainda em depoimento, segundo a Polícia Civil, o casal contou que parou em frente ao colégio, onde ocorria uma festa junina, para comprar os balões para dá-los a sobrinhos. O motorista, que é empresário, relatou que Larissa tinha apenas R$ 25 e estava negociando o valor com a vendedora, quando outros veículos atrás dele começaram a buzinar para destravar o trânsito.

Foi nesse momento, segundo Vieira, que ele, após pedir para Larissa puxar os balões, arrancou com o carro. Segundo o empresário, ele não percebeu que estava arrastando a vendedora de balões. Disse ter ouvido mais buzinas, porém pensou que ainda eram os outros motoristas pedindo passagem.

A reportagem ainda não conseguiu contato com o advogado do casal.

Foi tentativa de homicídio, diz vendedora

Ao UOL, a vendedora Marina disse não estar satisfeita com o indiciamento do casal por roubo. Para ela, o que aconteceu com ela foi uma tentativa de homicídio.

"Eu fiquei toda machucada, ainda estou. Me arrastaram por mais de 150 metros. Nem pediram desculpa. Como é roubo? Com certeza eu e meu advogado não aceitaremos esse tipo de coisa", disse Marina Izidoro de Morais, de 63 anos.

Na versão de Marina, ela negociou com o casal a venda de três balões por R$ 10 cada um - o valor individual era R$ 15. A vendedora afirmou ao UOL que aceitou fazer o acordo por já estar no final do dia, após trabalhar por oito horas na festa junina.

"Me abaixei para pegar os produtos, que estavam amarrados no meu braço. Foi nessa hora, que mulher agarrou as cordas, fechou o vidro e o motorista acelerou o carro, arrancando de uma vez", disse Marina.

Após ser atendida no Hospital Regional de Taguatinga, a mulher procurou a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), onde registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal. Ela também foi encaminhada para o IML (Instituto Médico Legal) e passou por exames de corpo de delito.

"Eu só gritava e pedia para Deus me salvar. Não morri por sorte, mas vi a morte de perto. Só pensava que iria bater a cabeça em algum poste a qualquer momento. Estou traumatizada, não consigo mais dormir. Não entendo o motivo deles terem feito isso comigo", disse Marina.

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