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RJ mata traficante que ficou mais tempo no 'cargo' sem ser preso: 16 anos

Procurado pela polícia desde 2003, Guarabu foi morto ontem no Rio - Reprodução
Procurado pela polícia desde 2003, Guarabu foi morto ontem no Rio Imagem: Reprodução

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

28/06/2019 21h22

Morto nesta quinta-feira (27) em operação da PM no morro do Dendê, zona norte do Rio, Fernando Gomes de Freitas, conhecido como Fernandinho Guarabu, 40, estava há 16 anos no comando do tráfico de drogas da comunidade. Segundo a polícia, ele foi o traficante que mais tempo perdurou "no cargo" sem ser preso.

De acordo com a polícia, ele era ajudado por olheiros espalhados pela Ilha do Governador, onde está a comunidade, e pelo fato de a ilha só ter um acesso terrestre - a Estrada do Galeão. Dessa forma, Guarabu era avisado rapidamente sobre a chegada de policiais e outros traficantes na região.

Também contribuiu para a longevidade de Guarabu o repasse mensal de quase R$ 500 mil em propinas para policiais militares, segundo a TV Globo. Eram gastos até R$ 1.500 por PM por fim de semana para evitar operações na região em dia de baile funk - evento que atraía também jovens de classe média.

Guarabu e a quadrilha ainda comandavam um esquema de venda de botijões de gás, instalação TV a cabo pirata e exploração de transporte alternativo na região.

Nesta sexta (28), Fernandinho Guarabu foi enterrado na Ilha do Governador, no Rio - JOSE LUCENA/FUTURA PRESS
Nesta sexta (28), Fernandinho Guarabu foi enterrado na Ilha do Governador, no Rio
Imagem: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS
De acordo com a PM, o traficante tinha 14 mandados de prisão: por tráfico de drogas, homicídios, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, além de outros crimes. Ele estava foragido da Justiça desde 2003, e o Portal dos Procurados do Disque-Denúncia oferecia R$ 30 mil por informações que levassem à sua captura.

Antônio Eugênio de Souza Freitas, o Batoré, um dos braços direitos do líder, também morreu na operação. Ele havia sido preso pela primeira vez em 2004 e estava foragido. Segundo a polícia, Batoré estava envolvido na morte do major Allan Luna, assassinado no ano passado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O policial havia instalado uma câmara em um dos imóveis da quadrilha, que revelou a movimentação do tráfico no local.

Operação termina com seis mortos

Além de Guarabu e de Antônio Eugênio de Souza Freitas, o Batoré, quatro pessoas morreram na operação da Polícia Militar. São eles:

  • Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil do Dendê, identificado como o segundo na sucessão da quadrilha chefiada por Guarabu
  • Tiago Farias Costa, o Logan
  • Paulo Cezar da Costa, o Piu
  • Um sexto homem ainda não identificado.

Segundo a PM, a operação tinha objetivo de cumprir 34 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento com o traficante. Muitos dos alvos eram PMs corruptos.

Na ação, segundo a PM, cinco homens em dois carros tentaram furar uma barreira formada pelo Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e atiraram. Os militares teriam revidado.

"Os cinco criminosos foram feridos e vieram a óbito. Em outra ação na mesma comunidade, outro criminoso também foi ferido e veio a óbito, depois de entrar em confronto com outra equipe do BPChq", afirmou a PM em nota.

Na ação, foram apreendidas seis armas (um fuzil e cinco pistolas), carregadores, granadas e drogas.

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