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Cármen Lúcia mantém um dos primeiros integrantes do PCC em prisão federal

Lourinaldo Gomes Flor, vulgo Lori, integrante do PCC preso em RO - Reprodução
Lourinaldo Gomes Flor, vulgo Lori, integrante do PCC preso em RO Imagem: Reprodução

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

25/11/2019 18h29

Resumo da notícia

  • Lourinaldo Gomes Flor, vulgo Lori, foi para presídio federal junto de Marcola
  • Defesa solicitou retorno a São Paulo, mas TJ-SP, STJ e STF negaram
  • Condenado a 118 anos, Lori é um dos primeiros integrantes do PCC

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia manteve, por decisão monocrática, Lourinaldo Gomes Flor, conhecido como Lori, na penitenciária federal de Rondônia, onde está preso desde fevereiro deste ano.

A defesa havia pedido que Lori voltasse a cumprir a pena em São Paulo.

Condenado a 118 anos de prisão por roubo, homicídio e latrocínio, Lori é, segundo o MP (Ministério Público) paulista, um dos membros mais antigos da facção. Denúncia da Promotoria aponta que ele ter respeito de todos do PCC.

Ele foi transferido para Porto Velho junto de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal líder da organização criminosa. Em Rondônia, ficaram juntos cerca de um mês. Em março, Marcola foi para a prisão federal de Brasília, onde continua mantido.

Conhecido no início do século como um dos principais assaltantes de banco do país, Lori financiava ações da organização criminosa com o dinheiro roubado. Ele teve o nome envolvido em ataques da facção contra forças de segurança paulista no fim de 2003.

Cármen Lúcia, ministra do STF - Carlos Alves Moura/SCO/STF
Cármen Lúcia, ministra do STF
Imagem: Carlos Alves Moura/SCO/STF

A decisão da ministra, assinada na quarta-feira (20), foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico do STF hoje.

Cármen Lúcia pontuou que as instâncias antecedentes justificaram a transferência em circunstâncias concretas, em especial a periculosidade do condenado, o risco de fuga e a posição de liderança que Lori exerce em grupo criminoso organizado: "Portanto, não há se cogitar de flagrante ilegalidade ou abuso de poder", escreveu.

PCC em processo de cartelização

Principal organização criminosa do Brasil, com domínio sobre a exportação de drogas para outros continentes, o PCC (Primeiro Comando da Capital) está a um passo de se tornar uma máfia, nos moldes de grupos italianos, japoneses, mexicanos e colombianos.

O que falta para o PCC chegar a esse patamar, segundo investigações do MP (Ministério Público) e da PF (Polícia Federal), é a lavagem de dinheiro não precária.

"O PCC ainda enterra dinheiro e mantém a contabilidade em papéis. Falta ter uma lavagem de dinheiro requintada. Mas isso não deve demorar para acontecer. A organização criminosa está em pleno processo de cartelização", diz o promotor Lincoln Gakyia, considerado como o principal investigador do país contra o crime organizado em São Paulo.

Documentário

O selo MOV.doc, destinado a produções documentais do UOL, lançou a série PCC - Primeiro Cartel da Capital. Com direção de João Wainer (diretor dos documentários "Junho - o mês que abalou o Brasil" e "Pixo"), a série de quatro episódios é o resultado de um trabalho minucioso de apuração da equipe de Notícias da maior empresa brasileira de conteúdo, serviços e produtos da internet.

A equipe trabalhou na investigação por seis meses com gravações em São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Rio Branco e Nápoles (Itália). O resultado é uma grande série documental que busca entender como um grupo de oito detentos se transformou numa facção que hoje tem mais de 33 mil membros e tenta conquistar o monopólio do tráfico de drogas no país.

O documentário tem reportagem, pesquisa e produção dos jornalistas Flávio Costa, Luís Adorno, Aiuri Rebello e Eduardo Militão, e apresentação de Débora Lopes.

    • Ouça o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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