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Carta sobre aluno que faltou à aula para pegar ossada pra comer comove Acre

Bilhete que Josefa de Sousa Amorim escreveu para a Escola Delzuite Barroso, em Tarauacá (AC) - Reprodução/Facebook
Bilhete que Josefa de Sousa Amorim escreveu para a Escola Delzuite Barroso, em Tarauacá (AC)
Imagem: Reprodução/Facebook

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

13/03/2020 12h32

A carta de uma mãe provocou comoção e uma onda de solidariedade em Tarauacá, a 409 quilômetros de distância de Rio Branco (AC). No texto, encaminhado à direção da Escola Delzuite Barroso, a mulher justifica a ausência no filho de 15 anos à aula pois, naquele dia, ele iria ao matadouro "atrás de ossada para comer".

"Aqui em casa não tem nada pra nós comer e nem tenho dinheiro pra comprar. Tá faltando tudo na minha casa. Só não saúde, graças a Deus", complementou a mãe.

O bilhete foi entregue por uma das filhas dela à coordenadora pedagógica Marleide Martins, que compartilhou uma foto da carta nas redes sociais. "Fiquei imaginando e se fosse eu? E se fosse você? Isso me sensibiliza muito. Portanto gostaria de te pedir para doar qualquer alimento que esteja sobrando em sua casa para dar a essa família. Tenho certeza que Deus te dará em dobro", relatou a professora.

Para o UOL, a coordenadora pedagógica contou que ao ler o bilhete pensou na própria família. "Como mãe, eu pensei nos meus filhos e me questionei: por que não ajudar? Não pensei duas vezes". Inicialmente, a direção da escola organizou um sacolão e entregou para a família necessitada. Logo após, a carta foi publicada nas redes sociais, com aceite da mãe e da direção.

"As pessoas se mobilizaram rapidamente e graças a Deus essa família recebeu donativos. Nós começamos a ser contatados por pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais querendo ajudar".

Além de várias sacolas com alimentos, foram doados para a família R$ 600. O dinheiro será utilizado para criar um sistema de abastecimento de água potável para a moradia deles.

Josefa de Sousa Amorim, mãe do garoto, contou ao UOL que não esperava tamanha repercussão do bilhete. "Me senti muito feliz mesmo. Só Deus para pagar essas pessoas. Já chorei, me ajoelhei e orei por essas pessoas. Não esperava nada disso não", diz.

Ela tem sete filhos, mas duas filhas já se casaram e não moram mais com ela. O marido de Josefa trabalha com a limpeza de terrenos, mas tem "problemas na cabeça" após ter sido picado por uma cobra. Ele ainda paga pensão para a ex-esposa.

Para preservar a família, o coordenadora pedagógica criou um nome fictício para o menino: João. O endereço deles também não está sendo repassada para evitar exposição e evitar ações de aproveitadores.