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Policiais "parados" vão para a rua em estratégia da PM na SP esvaziada

Policiais Militares no vão do MASP, em São Paulo, durante o surto de coronavírus - AFP
Policiais Militares no vão do MASP, em São Paulo, durante o surto de coronavírus Imagem: AFP

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

26/03/2020 21h44

Resumo da notícia

  • PMs que atuavam em escolas e grandes eventos foram deslocados para patrulhamento
  • PM diz que, com isso, quer aumentar percepção de segurança no vazio da quarentena
  • Policiais da Tropa de Choque foram vistos rondando bairros residenciais
  • Duplas de viaturas foram observadas sempre próximas dos comércios que ainda podem funcionar

A Polícia Militar decidiu ocupar as ruas de São Paulo esvaziadas pela quarentena iniciada nesta semana para conter a pandemia do novo coronavírus. Numa mudança de estratégia observada nesta quinta pelo UOL na cidade, a PM aumentou o policiamento ostensivo para "aumentar a percepção de segurança" da população.

Segundo o tenente-coronel Emerson Massera, chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar, policiais de programas como a Ronda Escolar e da Tropa de Choque, que estavam no momento subutilizados em virtude das medidas restritivas e recomendações de distanciamento social, agora voltaram às ruas em atividade de patrulhamento.

A estratégia faz parte de um plano de contingência que começou a ser elaborado pela PM em janeiro, baseada no estudo de casos da China, Itália e Espanha diante da pandemia de covid-19 e consiste em dois pontos principais: policiamento ostensivo nos poucos locais movimentados, especialmente durante o horário comercial, e rondas mais visíveis em bairros residenciais vazios, especialmente à noite.

Redução da demanda e aumento de presença

Como escolas foram fechadas e não estão ocorrendo eventos públicos, PMs que antes seriam empregados nessas situações foram deslocados para novas funções.

"Estamos realocando recursos que não estão sendo utilizados em operações rotineiras por conta da natural e esperada redução da demanda", disse o porta-voz.

Na manhã desta quinta, a reportagem do UOL fez um deslocamento entre os bairros da Consolação e Santana, passando por vias importantes da cidade, como Consolação, Nove de Julho, Prestes Maia, Zaki Narchi e Cruzeiro do Sul, e a presença da PM era constante.

Policial ajusta máscara de proteção no rosto durante policiamento no Bom Retiro, em São Paulo - Divulgação/PMESP - Divulgação/PMESP
Policial ajusta máscara de proteção no rosto durante policiamento no Bom Retiro, em São Paulo
Imagem: Divulgação/PMESP

Onde está a PM?

Os carros da PM, quando parados, estão sempre postados em dupla na maioria das vezes, em esquinas geralmente próximas a pontos comerciais que seguem abertos na quarentena, como supermercados, postos de gasolina, farmácias e hospitais.

"A estratégia da PM é a de realocar o efetivo nesses pontos, e também naqueles bairros mais residenciais", diz Massera.

Ao mesmo tempo, o UOL observou viaturas circulando em bairros residenciais, em ruas pequenas e estreitas dos bairros de Santana e Vila Guilherme, na zona norte. Uma das viaturas numa área residencial de Santana era da Tropa de Choque, perto de uma pracinha.

Na rua da Consolação, foram vistas viaturas da PM pela manhã, estacionadas em um posto de gasolina, a menos de 100 metros de uma base da PM na Praça Roosevelt, e a 200 m de um posto policial na praça Rotary, na Vila Buarque. Um patrulhamento atípico para quem reside no bairro e mais comum nos grandes eventos que ocorrem naquele corredor da cidade.

Mais orientação, menos abordagens

A estratégia, contudo, segundo Massera ainda não prevê abordagens especificamente voltadas para agrupamentos, pessoas andando na rua sem motivo aparente ou idosos, como já está acontecendo em Porto Alegre, por exemplo.

Segundo o porta-voz da PM, o foco segue na orientação dos cidadãos. Muitas viaturas estão circulando, por exemplo, com informações sobre a pandemia em alto-falantes, orientando que as pessoas fiquem em casa e com dicas sobre higiene das mãos.

Reserva prevista

Apesar da estratégia de preenchimento do vazio, que prevê também policiamento em ruas comerciais tradicionais que estão com muitos pontos comerciais fechados e agora estão desertas, a PM não prevê, neste momento, a utilização do efetivo administrativo nas ruas. "Estão na reserva, para uma eventual reposição", afirma Massera.

Massera afirma ainda que a estratégia continuará a ser a de presença, até para prevenir eventuais saques, vandalismo ou outras condutas que possam exigir o emprego da PM, mas, no momento, a PM já nota uma queda em todas as ocorrências violentas, "especialmente roubos", afirma.

PMs de máscara

A mudança da estratégia da PM coincide também com o avanço na proteção individual dos policiais em tempos de epidemia. Policiais vinham reclamando da falta de proteção contra o vírus. No início da semana, a corporação admitiu que estava com dificuldades para comprar máscaras e álcool em gel para os policiais.

Segundo o porta-voz, compras foram feitas e quase todo o efetivo da PM está equipado com esses materiais de proteção.

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