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Cemitério de Manaus faz hora extra para dar conta de enterros em massa

Enterro coletivo é feito em cova aberta por trator na manhã de terça-feira (27) no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo
Enterro coletivo é feito em cova aberta por trator na manhã de terça-feira (27) no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

28/04/2020 16h42

Os cemitérios públicos de Manaus estão chegando a realizar hora extra para dar conta dos sepultamentos dos corpos que não param de chegar. Somente ontem foram registradas 118 mortes na capital amazonense, o que obrigou os funcionários do cemitério Nossa Senhora Aparecida a entrar pela noite com enterros.

Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana, não existe modalidade de enterro noturno, e o cemitério segue com horário de atendimento das 8h as 17h. Entretanto, admite, "caso necessário, para atender a demanda do dia, os enterros são estendidos para as famílias que já estão no interior do espaço."

Entre as 118 mortes de ontem, 31 delas haviam sido em domicílio. Nove dessas famílias optaram pela cremação, e 109 tiveram sepultamentos. Apenas dez tiveram confirmação para a covid-19, enquanto 30 foram registradas como causa indeterminada e outras 47 tiveram no atestado síndrome ou insuficiência respiratória, entre outros fatores.

Desde o dia 9, foram realizados mais de 1.700 sepultamentos na capital. Antes da pandemia, a média era de 30 corpos por dia. Com o aumento na demanda, o município firmou parceria com um crematório para que parentes possam escolher entre sepultar ou cremar os corpos das vítimas da pandemia.

Enterros em camadas estão proibidos

Hoje, o prefeito Arthur Virgílio (PSDB) anunciou que proibiu os sepultamentos em sistema de camadas no cemitério Nossa Senhora Aparecida, maior necrópole pública da cidade. Segundo a determinação, o local deve manter o modelo de trincheiras, como já vinha ocorrendo, preservando a identidade dos corpos e o vínculo das famílias.

Para facilitar a identificação dos corpos, o governo do Amazonas anunciou ontem à noite, entre uma série de medidas, a criação de um sistema de identificação de pacientes com uma pulseira padrão, escrita com caneta de marcação permanente, para que seja possível acompanhar o atendimento e, em caso de óbito, facilitar a identificação no momento de liberação do corpo para a família das vítimas.

Outra medida anunciada foi o processo para contratação de maqueiros, para atuar no manejo de pacientes dentro das unidades, bem como na destinação de corpos antes da liberação para família.

Até ontem haviam sido 3.928 casos registrados da covid-19 no estado, com 320 mortes.