PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
3 meses
Disputa por "posse" de acampamento vira briga entre fãs de Moro e Bolsonaro

Montagem com os logotipos do acampamento: antes com Moro, agora com Bolsonaro - Reprodução
Montagem com os logotipos do acampamento: antes com Moro, agora com Bolsonaro Imagem: Reprodução

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

14/05/2020 04h05

O racha entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ex-ministro Sergio Moro virou uma batalha jurídica entre ex-aliados por conta do antigo Acampamento Lava Jato, em Curitiba. Fundadoras do espaço, que por anos apoiaram juntas a operação de combate à corrupção, hoje trocam acusações sobre o direito à marca do agrupamento.

Uma delas, Narli Resende, abriu neste mês um processo de registro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) para evitar o que ela considera o uso indevido da logomarca do movimento.

Narli é professora aposentada e membro do movimento Curitiba Contra Corrupção. Foi uma das líderes do Acampamento Lava Jato desde 2016. Na semana passada, enviou uma notificação extrajudicial a ex-colega Paula Milani para que ela não usasse a marca em atos pró-Bolsonaro.

"Há um plágio, além de estarem denegrindo a imagem do acampamento", disse Narli ao UOL. "Nunca apoiamos um político pessoalmente. Nossa causa sempre foi o combate à corrupção."

Paula Milani, por sua vez, também é uma das fundadoras do Acampamento Lava Jato. Participou da mobilização em favor da operação até 2018, quando os ativistas deixaram a praça em frente à sede da Justiça Federal do Paraná, antigo local de trabalho do ex-juiz Sergio Moro.

Após Moro deixou o governo, Paula queimou camisetas com o rosto do ex-ministro num ato transmitido em redes sociais. Para ela, trata-se de um traidor.

Acampamento foi "rebatizado" após queda de Moro

Junto com outros apoiadores do governo, Paula "rebatizou" o grupo como Acampamento com Bolsonaro. Manteve, contudo, a marca criada na época de apoio ao ex-juiz, assim como uma comunidade de seguidores.

Paula não quis conceder entrevista ao UOL. Em um vídeo distribuído em redes sociais, ela se referiu ao antigo acampamento como "nosso Acampamento Lava Jato". e ironizou a tentativa de Narli de registrar a marca do movimento.

"Você nunca foi Acampamento Lava Jato, sempre foi de outro movimento", afirmou. "O Acampamento Lava Jato é hoje Acampamento com Bolsonaro."

A advogada de Narli considera que Paula comete crimes contra marca e difama o acampamento em seus atos. Na notificação encaminhada a Paula, consta a possibilidade de uma queixa-crime sobre o caso. "Ela já foi avisada", complementou Narli.

Cotidiano