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Superintendente de Santos assassinado foi chefe de segurança marítima de SP

Valter Barros Barbosa foi assassinado esta semana - Reprodução/ Linkedin
Valter Barros Barbosa foi assassinado esta semana Imagem: Reprodução/ Linkedin

Alex Tajra e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

15/05/2020 11h00

Resumo da notícia

  • Valter Barbosa foi morto na frente da mulher na rodovia Régis Bittencourt
  • Investigadores dizem que ainda é cedo para definir autoria; inquérito foi aberto
  • Por dois anos, ele foi chefe da fiscalização de embarcações no estado de SP
  • Investigadores dizem que, no cargo, ele atrapalhou traficantes internacionais

Assassinado na noite da última quarta-feira, em um crime ainda pouco esclarecido, o capitão de corveta e superintendente do Porto de Santos, Valter Barros Barbosa, 55, exerceu funções importantes enquanto servia na Marinha.

Entre 2011 e 2013, ele atuou como chefe do Departamento de Segurança do Tráfego Aquaviário, responsável por funções como fiscalizar navios e fazer vistorias no litoral de São Paulo, além de inspecionar a área fluvial do estado paulista e de Minas Gerais.

Nesse cargo, investigadores dizem que ele pode ter incomodado traficantes internacionais de drogas, incluindo membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) e de outros grupos criminosos.

Barbosa ingressou na Marinha em 1984, passando em primeiro lugar na Escola de Oficiais da Marinha Mercante.

Em seu currículo, também consta um curso de aperfeiçoamento e extensão de inteligência e contrainteligência, ministrado pelo Centro de Inteligência da Marinha (CIM) em 2004.

Local onde Valter Barbosa foi morto na rodovia Régis Bittencourt - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Local onde Valter Barbosa foi morto, na noite de quarta-feira (13), na rodovia Régis Bittencourt
Imagem: Arquivo pessoal

Em outubro de 2014, Barbosa assumiu a posição de controlador de VTS (operador do tráfego de embarcações), sendo responsável pela implementação do primeiro serviço do tipo no país.

Como superintendente, Barbosa era responsável por áreas como a programação dos navios e a fiscalização de determinadas operações. Ele era membro da Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos).

A reportagem apurou com interlocutores que nesse último cargo exercido por Barbosa não havia relação com fiscalizações e investigações, não atrapalhando diretamente o PCC.

Barbosa foi morto após ser abordado por criminosos na rodovia Régis Bittencourt, na altura de Cajati, cidade a 250 km de distância da capital paulista.

Ele dirigia o carro ao lado da mulher. De acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública), sua mulher relatou na delegacia que os dois foram fechados por um carro prata antigo.

Dois criminosos com os rostos cobertos obrigaram o casal a parar. Enquanto desciam do veículo, Barbosa foi baleado.

Ao UOL, Investigadores de Santos, de Cajati, da cúpula da Polícia Civil e membros do MP (Ministério Público) afirmaram que é prepotente constatar qualquer hipótese de motivação para o crime, mas que, pelo fato de envolver o Porto de Santos, uma ação do PCC (Primeiro Comando da Capital) pode ser investigada.

O Porto é ponto de partida de grandes remessas de drogas, em especial a cocaína, o Brasil para a Europa, África e Ásia em navios de carga.

A despeito de indícios como o roubo do celular e da carteira, policiais afirmaram à reportagem que o assassinato foi uma execução (homicídio), e não um latrocínio (roubo seguido de morte). Um inquérito foi instaurado para tentar esclarecer as circunstâncias e encontrar os criminosos.

Bem quisto

Barbosa assumiu o cargo de superintendente por indicação de Marcelo Ribeiro de Souza, oficial superior da Marinha com 36 anos de serviços prestados e que se tornou diretor de Operações da Codesp em março de 2019. Ele tinha a confiança de Ribeiro, que também foi oficial da Marinha.

Em nota, Ribeiro afirmou que "mais que um profissional dedicado, ele era um amigo. Perdi um amigo. Espero que Deus possa confortar o coração da família". Barbosa deixou, além da mulher, três filhos.

Interlocutores do Porto de Santos afirmaram que Barbosa era uma pessoa bem quista pelos trabalhadores, não tinha problemas com ninguém e nem era alvo de críticas.

Quando começou no cargo de superintendente, teve dificuldades para se adaptar à "vida civil", já que veio diretamente da carreira militar. Depois de um tempo, "teve uma boa relação com a comunidade portuária, conquistou muitos amigos".

Antes de deixar o cargo ele estava alegre, ansioso com o novo desafio (Barbosa assumiria o posto de Diretor de Infraestrutura e Logística do Porto de Imbituba) segundo interlocutores. Houve uma pequena comemoração dos funcionários para celebrar a passagem de Barbosa, incluindo uma placa que o homenageava.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Esse e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

Segurança pública