PUBLICIDADE
Topo

Docente que foi sem máscara a ato pró-Bolsonaro morre com suspeita de covid

Sem máscara, Angelo Martins participa de ato pró-Bolsonaro em 19 de abril - Divulgação/Adufal
Sem máscara, Angelo Martins participa de ato pró-Bolsonaro em 19 de abril Imagem: Divulgação/Adufal

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

19/05/2020 12h32

Um professor que foi sem máscara a uma manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro em 19 de abril morreu no último domingo (17) com suspeita do novo coronavírus. Angelo Antônio Cavalcante Martins estava no protesto em frente ao quartel do Exército, em Maceió, não usou máscara e se aglomerou a dezenas de participantes.

Quase um mês depois, ele morreu em uma unidade hospitalar em Maceió com sintomas da covid-19. Colegas de Angelo relataram que ele adoeceu há uma semana, mas só procurou o hospital quando os sintomas se agravaram quando ele apresentou falta de ar e febre.

De acordo com Adufal (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas), o corpo foi enterrado na manhã do mesmo dia em uma cerimônia "bastante reservada, devido à suspeita de contágio da covid-19".

Imagens mostraram o professor segurando uma bandeira do Brasil e vestindo camisa nas cores verde e amarelo no protesto de 19 de abril. Os manifestantes pediam a volta do AI-5 e do Exército nas ruas e, ainda, questionavam o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus.

A manifestação ocorreu na data que é celebrada o Dia do Exército e fechou parcialmente a avenida Fernandes Lima, uma das principais vias públicas de Maceió. A aglomeração foi dispersada com a chegada da polícia e de guardas municipais. Decreto do governo do estado de 15 de março proíbe aglomerações e eventos durante a pandemia da covid-19.

O estado de Alagoas já tem 221 pessoas mortas por covid-19 e 4.031 infectadas pelo novo coronavírus, de acordo com último boletim epidemiológico divulgado ontem pelo governo do estado. O Brasil registra 16.792 óbitos por covid-19 e 254.220 pessoas com a doença, segundo o Ministério da Saúde.

Bacharel e coordenador de curso

Angelo era professor titular da Feac (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Ele ajudou na montagem do curso de turismo da Ufal e, recentemente, foi coordenador do curso de especialização de gestão pública municipal, em EAD (Educação à Distância).

O professor era bacharel em administração, pós-graduado em ciência do turismo na Inglaterra, mestre e doutor em administração. Ele ingressou na Ufal em 1990 por meio de concurso público.

Durante a sua trajetória acadêmica, Angelo participou da implementação do primeiro curso lato sensu no Brasil em administração de turismo para o CCSA (Centro de Ciências Sociais Aplicadas) da Ufal. Foi coordenador de diversos cursos de MBA, GEAN e Gestão Fazendária, além do curso de especialização em gestão pública municipal, latu sensu e na modalidade à distância pela Ufal.

O professor também foi consultor ad hoc da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), além de parecerista das revistas: RAUSP Management Journal, Gestão USP, Ciências da Administração (CAD/UFSC), SemeAd-FEA-USP, Iberoamericana de Turismo e PMKT (Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia).

"Na sua trajetória profissional, o professor Angelo não poupou esforços para promover a ciência da administração. Foi professor da Universidade Federal de Alagoas, lutou pela profissão e a sua atuação acadêmica foi marcada pela dedicação, bravura e paixão", destacou a presidente do CRA-AL (Conselho Regional de Administração de Alagoas), Jociara Correia.

A Adufal e a Feac divulgaram notas de pesar sobre a morte de Martins e destacaram a trajetória profissional dele. "A entidade manifesta condolências aos familiares e amigos pela difícil perda", disse a Adufal. "Tem uma rica e marcante história em nossa Faculdade, reconhecida com o alcance do grau de professor titular, titulação máxima obtida em uma universidade", enfatizou a Feac.

O UOL tentou contato com a família de Martins, mas ninguém quis comentar sobre a morte dele.

Coronavírus