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Homem inventa que matou duas pessoas para ter 'ato de bravura', diz polícia

Bombeiros fizeram buscas no Rio Verdão após homem dizer que havia matado duas pessoas Imagem: Divulgação/PM-GO

Galtiery Rodrigues

Colaboração para o UOL, em Goiânia

17/09/2020 17h03

O caseiro de uma fazenda em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, acionou a Patrulha Rural da Polícia Militar na manhã do último sábado (12), dizendo ter matado dois homens que teriam tentado assaltar a propriedade e que havia jogado os corpos no Rio Verdão. Após quatro dias de buscas e de um trabalho de investigação que mobilizou 20 pessoas, entre policiais, bombeiros e peritos, a polícia disse que, na verdade, ele inventou tudo para se sentir herói.

O homem de 36 anos, cuja identidade não foi divulgada, foi confrontado ontem pelo delegado Danilo Fabiano Carvalho, do Grupo de Homicídios de Rio Verde, com dados levantados pelo trabalho da perícia que não confirmavam a versão e a sucessão de supostos fatos apresentadas por ele. "Foi quando ele confessou, dizendo que inventou tudo para se vangloriar e ter um ato de bravura", conta o delegado.

Ao acionar a polícia, o caseiro narrou que na madrugada de sábado uma camionete com três homens chegou à fazenda, com a intenção de praticar furtos. Ele relatou que reagiu à investida dos tais criminosos, entrou em troca de tiros, matou dois e ainda deu detalhes, dizendo que matou um com um tiro na cabeça e outro com um tiro no pescoço.

Para matar os assaltantes, o homem disse ter usado uma pistola e uma espingarda calibre 32. A pistola, segundo ele, foi jogada no rio junto dos corpos, que foram levados por ele no jipe da fazenda. Descobriu-se, inclusive, que ele não tinha a documentação necessária para ter o porte da arma e foi autuado em flagrante por porte ilegal.

Perícia não encontrou vestígios

As imagens divulgadas pela polícia mostram que o caseiro chegou a participar das buscas, indicando os locais onde tudo teria ocorrido. O trabalho da perícia e os depoimentos de testemunhas ouvidas pela investigação, no entanto, derrubaram o relato, indicando a possibilidade de mentira.

A perícia descobriu que não existiam vestígios de sangue em nenhum lugar. Foram verificadas as roupas dele, o tal jipe que ele disse ter utilizado para transportar os corpos e as proximidades do ponto nas margens do rio onde ele informou ter parado para jogar os corpos.

O dono da fazenda informou, ainda, que o jipe ficava na propriedade, mas que o caseiro não ficava com a chave. Um senhor que vive nas imediações disse não ter visto nem escutado nada de anormal na madrugada de sábado, fragilizando a versão da troca de tiros.

A região onde fica a fazenda é patrulhada, devido a casos de furto e roubo, especialmente de gado. Danilo Fabiano acredita que o caseiro possa ter inventado toda a história para tentar se promover entre os proprietários rurais.

Ao ser confrontado, após confessar a mentira, segundo a polícia, ele alegou que tinha bebido bastante naquela noite e disse que estava arrependido. "Tudo que ele falava não tinha conexão com a realidade. Tratou-se de uma autoacusação falsa, crime previsto no Código Penal (Art. 341, com pena de três meses a dois anos de detenção ou multa)", aponta o delegado.

Prejuízo gerado será citado no inquérito

O caseiro ficou preso entre sábado e terça-feira (15) pelo crime de porte ilegal da espingarda apresentada por ele. Ele pagou uma fiança de R$ 3.000 para ser solto. Agora, a investigação conclui o relatório do inquérito que deve indiciá-lo pelo crime de autoacusação falsa e já adianta que vai relacionar os prejuízos gerados para a segurança pública.

Caberá ao Ministério Público, ao oferecer a denúncia para a Justiça, analisar se será pertinente o pedido de ressarcimento junto à análise do crime cometido pelo caseiro. O delegado conta que duas equipes do Corpo de Bombeiros foram destacadas para fazer as buscas dos tais corpos no rio e que elas trabalharam durante todo o domingo.

"Não adianta inventar histórias, pois a polícia tem todo o aparato de informação para comprovar e checar os dados apresentados. Não adianta a pessoa se passar por herói, se vangloriar com uma situação dessa, se a polícia tem todos os recursos para comprovar. Ele vai sofrer, agora, as consequências do ato de mentira", diz o delegado.

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