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Suspeito de matar padre é preso e cita extorsão para não revelar caso

O padre Adriano da Silva Barros, da paróquia de Simonésia (MG) - Reprodução
O padre Adriano da Silva Barros, da paróquia de Simonésia (MG) Imagem: Reprodução

Felipe Munhoz

Colaboração para o UOL, em Lençóis (BA)

15/10/2020 14h01

Um jovem de 22 anos foi preso ontem à noite suspeito de matar o padre Adriano da Silva Bastos, 36, em Manhumirim (MG). De acordo com a Polícia Civil, em seu depoimento, o rapaz teria afirmado que tinha uma relação amorosa com o padre e tentou extorqui-lo para que ele não divulgasse o relacionamento.

"Ele [suspeito] disse que matou o padre durante uma discussão, quando tentou extorquir da vítima um determinado valor em dinheiro sobre o argumento que mantinha uma relação amorosa com a vítima e exigia dinheiro dela para não divulgar essa relação", disse o delegado chefe regional, Carlos Roberto Souza da Silva.

No entanto, a polícia não acredita no depoimento do suspeito e, a princípio, vai seguir a linha investigatória de latrocínio. "Nós não acreditamos, neste momento, nesta versão. Estamos tratando o caso como latrocínio [matar para roubar]. Porque pertences da vítima desapareceram [celular, carteira e veículo]", afirmou o delegado.

O suspeito também afirmou em depoimento que agiu sozinho - fato também refutado pela polícia. "As investigações sinalizam para o envolvimento de duas ou mais pessoas no crime. Uma por fugir com o veículo, por estar ocultando o veículo. Esta pessoa também teria participado, pois a morte cometida por uma única pessoa teria sido bem difícil, por se tratar de uma vítima robusta, pesando cerca de 90 kg", destacou Carlos da Silva. "Tanto pela morte, como pelo embarque, transporte [no próprio veículo da vítima], desembarque e também por arrastar o corpo até o local em que foi incendiado", completou.

A polícia informou que as investigações agora serão conduzidas pelo delegado titular da área de segurança de Manhumirim, Glaydson de Souza Ferreira.

Prisão

A Polícia Militar informou que, por volta de 18h de ontem, foi acionada por um morador do Córrego Pirapetinga, em Manhumirim, que visualizou fogo em seu terreno e, ao se deslocar para o local para apagá-lo, localizou um corpo carbonizado.

Equipes da PM e da Polícia Civil foram até o local, sendo constatado pela perícia que existiam ainda ferimentos provocados, provavelmente, por facas. Irmãos do padre também estiveram presentes no local para reconhecimento do corpo.

Policiais militares disseram que abordaram, próximo ao local do crime, um jovem de 22 anos, na companhia de um menor de 16. "O rapaz apresentava um certo nervosismo e estava com um corte na mão esquerda", descreveram os PMs, que libertaram os dois por não saberem do crime até aquele momento.

Enquanto isso, após a divulgação da morte do padre, outra equipe da PM relatou que teria visto o mesmo jovem entrando no carro da vítima em Manhumirim. Diante disso, os policiais foram até a casa onde o suspeito reside, e o localizaram.

"O menor que estava junto alegou não ter participação. Porém, sabia do crime e não falou nada com ninguém, motivo pelo qual também foi apresentado na delegacia acompanhado de seu pai", diz o informativo da PM. O suspeito disse aos PMs que um parente teria levado o carro da vítima para o Estado do Rio de Janeiro.

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