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Indiciado por homicídio, suspeito de matar ciclista se cala na delegacia

José Maria da Costa Júnior, suspeito de ter atropelado e matado ciclista em SP - Divulgação/Polícia Civil
José Maria da Costa Júnior, suspeito de ter atropelado e matado ciclista em SP Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

11/11/2020 09h36Atualizada em 11/11/2020 13h38

O microempresário José Maria da Costa Júnior, 33, principal suspeito de ter matado a ciclista Marina Kohler Harkot, 28, na madrugada de domingo (8), em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, foi indiciado por homicídio culposo e por fuga de local de acidente, de acordo com a Polícia Civil.

O delegado Flávio Teixeira, do 14º DP (Distrito Policial), em Pinheiros, que investiga o caso, afirmou que, ao se entregar na tarde de ontem e permanecer na delegacia durante três horas, ele se resguardou o direito de permanecer em silêncio. Costa Júnior saiu pela porta da frente do DP acompanhado de advogados.

O suspeito foi solto por um entrave jurídico que ocorre em semana eleitoral: em tese, prisões só podem ser feitas em flagrante desde ontem até 48 horas após o término da votação do primeiro turno, no próximo domingo (15). Ou seja, caso o microempresário tivesse se entregado logo após ter atropelado a ciclista ou na segunda-feira (9), poderia estar detido agora.

Em entrevista para a TV Globo, o advogado do microempresário, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que seu cliente não parou para prestar socorro tendo em vista o pânico dele no momento. "Ele perdeu ali, vamos dizer, a razão, ficou completamente num estado de tensão muito forte e decidiu sair do local", afirmou.

Para a Polícia Civil, o suspeito assumiu o risco de matar a ciclista ao não prestar socorro. Marina não resistiu aos ferimentos após ser atingida na avenida Paulo VI, na altura da rua João Moura. Uma policial militar que estava de folga repassou à polícia os dados do carro: um Hyndai Tucson prata com a placa da cidade de Inconfidentes (MG).

A Globo News mostrou hoje imagens dele sorrindo no prédio onde morava após ter supostamente atropelado a ciclista. Uma das hipóteses aventadas pela Polícia Civil é de que ele estava bêbado no momento da colisão. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do suspeito. Se enviado, seu posicionamento será incluído nesta reportagem.

Além do microempresário, a Polícia Civil também procura uma mulher que foi vista junto com o motorista na noite de domingo. Para a polícia, ela pode dar informações sobre o estado de embriaguez do motorista e sobre o que ele fez após o crime.

Localização do suspeito

A Polícia Civil conseguiu localizar o carro e o endereço do dono do automóvel. O suspeito saiu às pressas de sua residência após o caso.

De acordo com o 14º DP (Distrito Policial), de Pinheiros, o veículo foi localizado no fim da noite de anteontem próximo ao apartamento em que o dono do automóvel mora, na rua Cesário Mota Júnior, na Vila Buarque, na região da universidade Mackenzie, centro da cidade.

Polícia Civil conseguiu localizar o carro e o endereço do dono do automóvel, mas o principal suspeito segue sendo procurado - Luís Adorno/UOL - Luís Adorno/UOL
Carro que teria sido utilizado na morte da ciclista
Imagem: Luís Adorno/UOL

Os agentes encontraram um Hyundai Tucson, com as mesmas características do veículo que era conduzido pelo motorista que atropelou a jovem, parado em um estacionamento, afirma relatório dos policiais da Cerco (Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas), da 3ª Delegacia Seccional, a que a reportagem teve acesso.

O carro estava estacionado com a frente avariada virada para uma parede, na tentativa, afirmam os policiais civis, de esconder as partes que foram quebradas no atropelamento. O vidro dianteiro do carro está trincado na lateral do lado direito.

De posse de informações sobre o dono do veículo, cedidas pelos responsáveis pelo estacionamento, os policiais foram até o prédio onde o suspeito mora e obtiveram autorização do porteiro para subir.

Ao chegarem ao apartamento do rapaz, a porta de entrada estava entreaberta e com sinais aparentes de arrombamento. "Os móveis e itens estavam bagunçados e com sinais de abandono repentino", relataram os policiais. Na mesa da sala, segundo a polícia, havia uma sacola plástica com maconha, que foi apreendida e apresentada no Distrito Policial.

Cicloativista

Cicloativista havia pelo menos oito anos, Marina era cientista social pela USP (Universidade de São Paulo), ativista feminista e pesquisadora de mobilidade urbana. Em 2018, concluiu um mestrado pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) com a dissertação de título "A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo".

Marina era pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratórios do Espaço Público e Direito à Cidade), ligado à FAU. Ela tinha em curso uma pesquisa de doutorado, também pela FAU, em que estudava a segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade.

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