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Segurança pública

Vídeo mostra suspeito de matar ciclista sorrindo após horário do acidente

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

11/11/2020 12h37Atualizada em 11/11/2020 12h37

Minutos depois de a ciclista Marina Kohler Harkot, 28, ter sido morta após ser atropelada e não ter recebido socorro de quem a atingiu, na madrugada de domingo (8), em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, o principal suspeito do crime foi gravado pela câmera do elevador do prédio onde mora, no centro da capital, subindo para o seu apartamento sorrindo, conversando com alguém pelo celular e na companhia de uma mulher.

O principal suspeito do crime é o microempresário José Maria da Costa Júnior, 33, que se apresentou na tarde de ontem à Polícia Civil e que foi indiciado por homicídio culposo e por fuga de local de acidente. O delegado Flávio Teixeira, do 14º DP (Distrito Policial), em Pinheiros, que investiga o caso, afirmou que, ao se entregar na tarde de ontem e permanecer na delegacia durante três horas, ele se resguardou o direito de permanecer em silêncio. Costa Júnior saiu pela porta da frente do DP acompanhado de advogados.

O suspeito foi solto por um entrave jurídico que ocorre em semana eleitoral: em tese, prisões só podem ser feitas em flagrante desde ontem até 48 horas após o término da votação do primeiro turno, no próximo domingo (15). Ou seja, caso o microempresário tivesse se entregado logo após ter atropelado a ciclista ou na segunda-feira (9), poderia estar detido agora.

José Maria da Costa Júnior, suspeito de ter atropelado e matado ciclista em SP - Divulgação/Polícia Civil - Divulgação/Polícia Civil
José Maria da Costa Júnior, suspeito de ter atropelado e matado ciclista em SP
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Para os investigadores do caso, no entanto, a principal hipótese é a de que ele não socorreu a vítima porque estava bêbado no momento da colisão e não queria ser responsabilizado por isso. Além do microempresário, a Polícia Civil também quer falar com a mulher que estava com ele naquelas noite e madrugada. Caso seja provado que ela estava no carro, ela pode responder por omissão de socorro.

O advogado do microempresário, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que seu cliente não parou para prestar socorro tendo em vista o pânico dele no momento. Ele afirma que seu cliente não ingeriu bebidas alcoólicas antes do acidente e que não estava trafegando em alta velocidade.

Para a Polícia Civil, o suspeito assumiu o risco de matar a ciclista ao não prestar socorro. Marina não resistiu aos ferimentos após ser atingida na avenida Paulo VI, na altura da rua João Moura. Uma policial militar que estava de folga repassou à polícia os dados do carro: um Hyndai Tucson prata com a placa da cidade de Inconfidentes (MG).

De acordo com a Polícia Civil, Marina estaria sem capacete de proteção no momento do acidente. Exames periciais e laudo do IML (Instituto Médico Legal) são aguardados pela polícia para esclarecer melhor a dinâmica sobre o que ocorreu.

Como a polícia localizou o suspeito

Policiais civis encontraram um Hyundai Tucson, com as mesmas características do veículo que era conduzido pelo motorista que atropelou a jovem, parado em um estacionamento na rua Cesário Mota Júnior, na noite de anteontem, segundo o relatório dos policiais da Cerco (Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas), da 3ª Delegacia Seccional, a que a reportagem teve acesso.

Polícia Civil conseguiu localizar o carro e o endereço do dono do automóvel, mas o principal suspeito segue sendo procurado - Luís Adorno/UOL - Luís Adorno/UOL
Carro que teria sido utilizado na morte da ciclista
Imagem: Luís Adorno/UOL

O carro estava estacionado com a frente avariada virada para uma parede, na tentativa, afirmam os policiais civis, de esconder as partes que foram quebradas no atropelamento. O vidro dianteiro do carro está trincado na lateral do lado direito.

De posse de informações sobre o dono do veículo, cedidas pelos responsáveis pelo estacionamento, os policiais foram até o prédio onde o suspeito mora e obtiveram autorização do porteiro para subir.

Ao chegarem ao apartamento do rapaz, a porta de entrada estava entreaberta e com sinais aparentes de arrombamento. "Os móveis e itens estavam bagunçados e com sinais de abandono repentino", relataram os policiais. Na mesa da sala, segundo a polícia, havia uma sacola plástica com maconha, que foi apreendida e apresentada no Distrito Policial.

De acordo com investigações da Polícia Civil, o suspeito saiu às pressas de sua residência após o caso.

Cicloativista

Cicloativista havia pelo menos oito anos, Marina era cientista social pela USP (Universidade de São Paulo), ativista feminista e pesquisadora de mobilidade urbana. Em 2018, concluiu um mestrado pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) com a dissertação de título "A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo".

Marina era pesquisadora colaboradora do LabCidade (Laboratórios do Espaço Público e Direito à Cidade), ligado à FAU. Ela tinha em curso uma pesquisa de doutorado, também pela FAU, em que estudava a segregação socioterritorial a partir de abordagens de gênero, raça e sexualidade.

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