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Presidente da Cufa: Segurança não é somente "munição, efetivo e viatura"

Preto Zezé participou do programa "Roda Viva", da TV Cultura - Reprodução/TV Cultura
Preto Zezé participou do programa "Roda Viva", da TV Cultura Imagem: Reprodução/TV Cultura

Do UOL, em São Paulo

16/11/2020 23h27

Presidente da Cufa (Central Única de Favelas), Preto Zezé disse não admitir que segurança pública seja sinônimo apenas de "munição, efetivo e viatura" ao comentar a violência policial ocorrida em comunidades no Brasil, principalmente contra "negros e favelados".

"A polícia mostra a produtividade, e produtividade é mostrar preto e favelado preso em jornal policial, cabisbaixo, como troféu. Isso não tem gerado resultado nenhum, inclusive para os policiais. O Brasil tem a polícia que mais mata, e isso precisa ser rejeitado e repudiado", disse ele, durante participação hoje no programa "Roda Viva", da TV Cultura.

"É preciso desnaturalizar esse genocídio que está montado dentro de setores da segurança pública. Eu quero discutir segurança pública com policiais, mas eu não consigo admitir que a segurança pública seja sinônimo somente de munição, efetivo e viatura", completou em seguida.

Segundo ele, uma pesquisa feita pela ONG indicou que cerca de 55% dos negros, que moram em favelas, teriam medo da polícia. "A polícia está preparada para uma guerra, para um enfrentamento (...) Na favela não há Estado Democrático de Direito, leis, Constituição", ressaltou.

Ainda durante o "Roda Viva", Zezé também falou sobre o que ele classificou como "racismo à brasileira"

"Existe um racismo à brasileira, que é aquele que todo mundo assume que existe, mas ninguém assume que pratica (...) No Brasil, o negro não nasce negro, ele descobre que é negro e muitas vezes essa descoberta é extremamente dolorosa", afirmou.

"No Brasil são 45 mil George Floyd"

Ao falar sobre preconceito, desigualdade social e violência policial, Preto Zezé também relembrou George Floyd, morto em Minnesota, nos Estados Unidos, após um policial asfixiá-lo com o joelho em seu pescoço. Toda a ação foi filmada por uma mulher que passava no local.

Desde então, manifestações contra o racismo e contra a brutalidade policial se espalharam pelo país.

"O mundo todo se horroriza com George Floyd, que foi uma coisa grave e séria, mas no Brasil são 45 mil 'George Floyds', naturalizado. Eu não defendo nunca a violência, nem o quebra-quebra, nem o tocar fogo, mas imaginemos que a menina Ágatha, que foi assassinada... Descem todas as favelas do Rio e toca fogo em Copacabana?! Lógico que eu não quero isso, mas para onde estão empurrando a realidade brasileira?", disse.

Hoje presidente da Central Única das Favelas nacional, Preto Zezé foi criado nas Quadras, favela de Fortaleza, e precisou largar os estudos aos 12 anos para trabalhar, lavando carros, e ajudar a mãe, doméstica, e o pai, pintor da construção civil, conforme mostrou reportagem especial de Ecoa.

Entre 2004 e 2012, Preto Zezé atuou como coordenador estadual da Cufa Ceará e, em 2012, tornou-se presidente nacional da organização. Em 2015, depois de um evento da entidade na ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, Athayde o convidou para ser presidente da Cufa Global. Ficou no cargo até 2020, quando voltou a assumir a Cufa Nacional, devido à gravidade com que a pandemia da covid-19 tem atingido as favelas do Brasil.

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