PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Caso Henry: Ex de vereador Jairinho relata agressão a outra criança

Caso Henry: Jairinho e mãe de Henry são investigados pela polícia - Reprodução/TV Record
Caso Henry: Jairinho e mãe de Henry são investigados pela polícia Imagem: Reprodução/TV Record

Do UOL, em São Paulo

04/04/2021 22h19

Investigado pela morte de Henry Borel, de 4 anos, o vereador Jairinho (Solidariedade) também é acusado de agredir outra criança por uma ex-namorada. O menino Henry morreu após uma hemorragia no fígado, mas laudos médicos apontam contusões na cabeça, rim e pulmão. A mãe dele, Monique Medeiros, também é investigada pela polícia.

Os depoimentos foram obtidos pelo programa Fantástico, da TV Globo. Uma das mulheres diz que namorou Jairinho quando a filha era criança — dos 3 aos 5 anos de idade da menina.

"'Eu falava 'o tio vindo pra gente sair', aí ela passava mal, ela vomitava. Me agarrava. Ou então pedia à minha mãe: Posso ficar com você, ? Eu não quero ir, quero ficar aqui'", contou a mãe da menina.

A reação da criança é similar à de Henry na noite de sua morte. Segundo investigação da polícia, o menino vomitou e chorou enquanto voltava para o apartamento da mãe e do padrasto.

A mãe diz que, na época, não sabia o que estava acontecendo. Há dez dias, a menina prestou depoimento à polícia e contou que Jairinho tinha um comportamento agressivo. "Ela disse lembrar que ele a afundava na piscina. Também relatou que ele subia na barriga dela, enquanto ela estava deitada, e torcia o braço e a perna dela", relatou a mãe.

Ela completou dizendo que Jairinho é uma pessoa com grande poder de persuasão.

Outro depoimento obtido pelo Fantástico é o de uma mulher de Angra dos Reis. Ela contou que, em 2015, Jairinho e os dois filhos passaram quase um mês na cidade litorânea e que, nesse período, o filho mais novo sofreu um acidente brincando na rede com a irmã e a avó — o menino bateu a cabeça e precisou ser internado. Ela não cita o envolvimento do vereador no acidente.

Ao Fantástico, entretanto, uma pessoa que conviveu com a família na época relatou acidentes envolvendo Jairinho.

"Da primeira vez, eu percebi que o menino estava com umas manchinhas roxas. Um pouquinho na barriga, um pouquinho na perninha. Na segunda vez, eu escutei a mãe falar que tinha acordado de madrugada como se estivesse dopada de remédio. Ela levantou com as pernas pesadas, e Jairinho estava dando banho na criança".

Ainda segundo a mulher, a criança estava chorando no banho. "Tinha uma outra pessoa que o chamava de 'o monstro'", contou ela.

O relacionamento de Jairinho e da ex-namorada terminou em outubro de 2020, mas, segundo o Fantástico, eles mantinham contato e trocavam mensagens, inclusive na madrugada em que Henry morreu.

No último dia 8 de março, Henry Borel, de 4 anos, foi encontrado "gelado e com os olhos virados", segundo relato da mãe do menino, Monique Medeiros, e do vereador Jairinho, padrasto. Ambos estavam no apartamento com Henry na noite da morte.

Na quinta-feira (9), a polícia reconstituiu a morte do menino Henry no condomínio Majestic, onde ele morava com a mãe e o padrasto. Além do apartamento do casal, os agentes também estiveram na portaria do prédio para realizar a reconstituição.

Jairinho e Monique faltaram ao local. A polícia informou ainda que os dois podem responder por desobediência por não terem comparecido.

O caso

Henry era filho de pais recém-divorciados, e passou um final de semana com o pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida. Por volta das 19h, Leniel deixou a criança no condomínio onde reside a mãe. Câmeras de segurança flagraram a chegada do menino. Monique Medeiros da Costa e Silva namora o vereador desde outubro de 2020. Antes, trabalhava como professora e agora ocupa cargo no Tribunal de Contas do Município.

De acordo com as investigações, na madrugada do dia 8, o médico e vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), padrasto de Henry, e a namorada dele e mãe da criança, Monique Medeiros, levaram o menino ao Hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, onde relataram que a criança apresentava dificuldade respiratória. O casal então ligou para o pai do garoto para relatar o ocorrido.

Leniel foi, então, até a unidade de saúde e encontrou os médicos tentando reanimar a criança. Orientado pelos profissionais do hospital, o pai do menino abriu uma ocorrência na 16ª DP para entender o que aconteceu com o filho. A morte do menino ocorreu ainda no dia 8.

O laudo da necropsia de Henry indicou sinais de violência e a causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente.

No documento, a perícia constatou múltiplos hematomas no abdômen e nos membros superiores; infiltração hemorrágica na parte da frente, lateral e posterior da cabeça; edemas no encéfalo; grande quantidade de sangue no abdômen; contusão no rim à direita; trauma com contusão pulmonar; laceração hepática (no fígado); e hemorragia retroperitoneal.

Cotidiano