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Homem que fez refém em Guarulhos é PM, estava afastado e iria para a Bahia

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

12/04/2021 13h04Atualizada em 13/04/2021 09h28

O homem que fez uma comissária de voo da GOL refém no aeroporto internacional de Guarulhos (SP), na noite de ontem, é o policial militar ambiental Frederico Correia Resende, 36, que atua em Foz do Iguaçu, no Paraná.

De acordo com o registro da ocorrência, feito na 3ª Deatur (Delegacia de Atendimento ao Turista), o PM teve um surto psicótico após ter sido liberado pela corporação paranaense para um tratamento psiquiátrico.

Procurada, a Sesp (Secretaria da Segurança Pública) do Paraná não se manifestou sobre o assunto até esta publicação. De acordo com a PM do Paraná, ele viajava para a Bahia para visitar familiares.

Resende afirmou que foi perseguido no voo até São Paulo e que esses perseguidores tinham a intenção de matá-lo e de matar seu capitão, apresentado apenas como Cézar.

Ao desembarcar, ele se aproximou de uma aeromoça da Gol, de 30 anos, que se preparava para voar para Maceió (AL), e pediu uma caneta. Quando a comissária cedeu o objeto, ele o utilizou para fazê-la refém, colocando-o na direção do pescoço dela.

Enquanto a mantinha refém, Resende afirmava que estava com bombas na mochila, o que não foi confirmado posteriormente, e desabafava contra a decisão da corporação de afastá-lo para tratamento médico.

"Eles fazem a cagada, fazem a corrupção e suicida o policial bom. Por que eu vou me suicidar se eu tenho três anos estudando medicina? Eu tenho um futuro brilhante pela frente, por que eu vou me suicidar? Eles queriam fazer o meu suicídio", afirmou.

Ainda no desabafo, o policial afirmava que tinha uma rotina de apenas estudar e trabalhar e que, por não aceitar entrar em acordos de corrupção, "virou carta marcada".

Ligação para soltar refém

Ainda com a aeromoça refém, o policial pediu a presença de policiais federais no local. Um delegado da PF (Polícia Federal) foi até lá. Quando chegou, ouviu do PM o pedido para que o capitão Cézar fosse acionado pelo telefone.

Policiais federais, então, ligaram para o capitão, a pedido do PM. Na ligação, o capitão afirmou que Resende estava sob surto psicótico e que foi liberado pela corporação para fazer um tratamento psiquiátrico.

Depois disso, o PM jogou a caneta no chão, liberou a vítima e foi revistado. Ele foi levado para a delegacia e encaminhado para tratamento médico. Ele ficou sob custódia da Polícia Federal.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, o homem fez a comissária refém às 22h30 em frente ao portão de embarque 213. O policial foi apresentado na delegacia às 23h59.

A aeromoça não ficou ferida. Ela decidiu, por enquanto, não representar contra o policial militar.

O que dizem GOL e aeroporto

Por meio de nota, a GOL afirmou que está ciente do ocorrido e que está dando "todo o suporte necessário à colaboradora". A empresa confirmou, ainda, que ela não teve nenhum ferimento e está bem.

"A Polícia Federal está no comando das investigações e a Companhia está à disposição para prestar todo o suporte necessário. A ocorrência ficou restrita à sala de embarque do aeroporto e o envolvido no caso não era passageiro da GOL em nenhum dos seus trechos de origem ou destino", disse a companhia aérea.

A GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto, afirmou que "os órgãos responsáveis pela segurança do Aeroporto foram acionados para controlar um passageiro que, utilizando uma caneta, fez uma tripulante como refém em um dos portões de embarque do terminal 2".

Segundo a concessionária, a ocorrência "foi controlada em poucos minutos pela Polícia Federal, em total segurança e não houve feridos. O incidente não impactou as atividades e as operações do aeroporto. O passageiro foi encaminhado para delegacia e as causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas autoridades competentes".

O que diz a PM do Paraná

Por meio de nota, a PM afirma que o policial militar em questão "sempre foi considerado um excelente policial tanto por seu comandante imediato, quanto por seus companheiros de serviço". A corporação afirma que ele é solteiro, trabalha na Polícia Ambiental, está na corporação há 7 anos e sua família está na Bahia, para onde ele deslocava na noite de domingo.

"A Polícia Militar do Paraná está fazendo acompanhamento do policial e do caso, e durante seu ato no aeroporto, o policial falou com o comandante imediato, por vídeo-chamada, o qual conseguiu demove-lo da ação. Após isso, a funcionária da companhia aérea foi liberada sem ferimentos, e ele foi conduzido pela Polícia Federal para procedimentos necessários", informou a corporação paranaense.

Após a informação do caso, o comando do Batalhão Ambiental do Paraná determinou o deslocamento de uma equipe da unidade à São Paulo, nesta segunda-feira (12) "para acompanhar a situação do policial, adotar medidas necessárias e tratar com a família dele sobre o que for preciso".

Em nota, o Batalhão de Polícia Ambiental Força-Verde (BPAmb-FV) informou que "o comandante da unidade, acompanhado por um oficial médico, deslocou-se até o estado de São Paulo nesta segunda-feira (12/04) para trazer ao Paraná o policial militar que esteve envolvido na ocorrência no Aeroporto de Guarulhos, na noite de domingo".

"Ao chegar ao Paraná, o soldado foi encaminhado para atendimento e tratamento psicológico. A Força Verde está providenciando todos os cuidados necessários ao profissional, bem como tomando outras medidas que o caso requer. Sobre as afirmações que o policial militar fez durante o ato, o Batalhão Ambiental informa que todas serão apuradas pela unidade", diz o texto.

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