PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Após documento furtado, aposentada é acusada de tráfico de drogas em Santos

A pegagoga aposentada, Sônia Regina Santos Silva, de 54 anos, foi acusada de tráfico internacional de drogas porque criminosos usaram seus documentos para mandar cocaína para o Reino Unido - Divulgação
A pegagoga aposentada, Sônia Regina Santos Silva, de 54 anos, foi acusada de tráfico internacional de drogas porque criminosos usaram seus documentos para mandar cocaína para o Reino Unido Imagem: Divulgação

Fabiana Stelina

Colaboração para UOL, de Santos

15/04/2021 04h00

O que era para um simples furto de documento virou uma grande dor de cabeça para uma pedagoga aposentada Sônia Regina Santos Silva, 54, de Santos (SP). Acusada injustamente por tráfico internacional de drogas com base em laudo da Polícia Federal, demorou seis anos para provar sua inocência na Justiça.

A decisão favorável saiu na última semana. A absolvição só veio após uma perícia grafotécnica, pedida pelo advogado de defesa Fabricio Sicchierolli Posocco.

Na denúncia, o Ministério Público Federal acusou Silva de enviar 106 gramas de cocaína para o Reino Unido. Para o órgão, a aposentada fez o envio da droga por uma agência dos Correios em 22 de setembro de 2015.

Postado como encomenda, o pacote tinha como destinatária uma mulher chamada Nicole Derby. Durante inspeção em São Paulo, a Receita Federal descobriu o volume de cocaína na encomenda.

Com os dados da remetente, a Polícia Federal chegou a Silva. Após fazer uma perícia, concluiu ser dela a grafia da embalagem postal.

Quando me falaram que eu estava sendo acusada de tráfico de drogas internacional, fiquei perplexa. Já foram pedindo para eu assinar papéis e perguntando quem era Nicole. Eu nem sequer sabia da inteireza dos fatos ocorridos. Fiquei muito nervosa por ter meu nome envolvido em um caso com grande notoriedade nos dias de hoje."
Sônia Regina Santos Silva, aposentada

Foi o indício gráfico que a defesa da aposentada trabalhou para descartar.

"Resolvemos contratar um perito particular para realizar um novo exame. Este novo lado descartou que a caligrafia no pacote fosse a de Sônia. A explicação do perito foi tão boa que o MPF não impugnou o documento juntado por nós, a defesa", explicou Posocco.

Ao analisar as considerações feitas pela defesa, o juiz descartou a acusação do MPF por considerar que havia dúvida razoável para concluir que a aposentada estava associada ao tráfico de drogas internacional. Sem provas além dessa, o magistrado decidiu pela absolvição.

Contou também, diz Posocco, alguns dados informados por quem enviou o pacote serem diferentes dos de Silva, como número de CPF, de RG e o endereço residencial e comercial.

Questionada pela reportagem, o MPF informou que não se manifestaria sobre o caso. Se enviado, o posicionamento será publicado.

A sensação agora de ser inocentada é gratificante. Ser acusada de uma coisa que você não cometeu é horrível e desgastante. É triste saber que há pessoas que são capazes de tudo para prejudicar alguém."
Sônia Regina Santos Silva, aposentada

Para o advogado, os problemas de Silva começaram quando ela teve seus documentos furtados ainda em 2015. Na época, ela já enfrentou outros contratempos como ter seus dados usados na abertura de conta em banco de maneira fraudulenta, na contratação de cartões de crédito e na compra de produtos pela internet.

A cereja do bolo foi o envio de droga para o exterior com os dados dela.

Apesar dos cinco anos para o caso ser resolvido, Posocco explica que o tempo foi responsável para que o juiz analisasse todo o quadro processual e reconhecesse não existir provas para responsabilizar Silva. Caso condenada, ela seria presa por um período de 5 a 15 anos.

Segundo o advogado, é muito importante fazer um Boletim de Ocorrência registrando o furto ou perda de seus documentos caso isso venha a ocorrer.

"Da mesma forma, é relevante cancelar todos os cartões de banco ou documentos de identificação em relação a comércios, instituições financeiras, entre outros, para que não venham a ser utilizados de maneira fraudulenta", explica Posocco.

Cotidiano