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PI: Suspeito recebia verba pública para produzir fake news contra políticos

Suspeito confessou ter produzido fake news ao ser questionado pela Polícia Civil do Piauí - Foto: Shutterstock
Suspeito confessou ter produzido fake news ao ser questionado pela Polícia Civil do Piauí Imagem: Foto: Shutterstock

Do UOL, em São Paulo

16/04/2021 16h21Atualizada em 16/04/2021 16h23

A Polícia Civil deflagrou ontem a Operação Fake News, que apura crimes contra a honra, praticados contra autoridades públicas do Piauí nas redes sociais, com a suspeita de serem financiados com recursos públicos. Foi expedido um mandado de busca e apreensão na cidade de Teresina.

As investigações foram instauradas no início de 2020 para apurar casos de calúnia e difamação publicados no Facebook e no WhatsApp.

Entre as vítimas está o governador Wellington Dias (PT-PI), além de secretários de estado, deputados estaduais, prefeitos e pré-candidatos a prefeito.

No decorrer da investigação, a polícia encontrou novos alvos das notícias falsas, como o então juiz eleitoral de Valença, uma vereadora e um pré-candidato a prefeito dessa mesma cidade.

De acordo com o Delegado Anchieta Nery, titular da DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática),o investigado responsável por disseminar as agressões nas páginas e perfis falsos confessou o crime durante o interrogatório policial.

O suspeito disse que cometeu os ataques às autoridades de Valença tendo como mentor o então secretário de governo da cidade, em 2020.

"Quanto aos ataques a líderes dos partidos PT e PR em Teresina, o investigado afirmou ter sido contratado por um marqueteiro do Ceará, que atuava para um partido adversário destes nas eleições da capital, também em 2020", disse o delegado em informações divulgadas pela Polícia Civil.

A confissão do suspeito colabora como uma das provas técnicas colhidas no inquérito policial.

Com afastamento de sigilo bancário e colaboração do Tribunal de Contas do Estado - TCE, se demonstrou que o investigado, autor direto dos crimes, recebia recursos, sem licitação ou contrato prévios, da Prefeitura de Valença, durante o período de execução dos crimes.

A ação foi realizada pela DRCI em parceria com a DINTE/SSP (Diretoria de Segurança Pública).

Novas diligências

Novas diligências serão realizadas para confirmar se o crime contou com a participação de outras pessoas. Segundo o delegado Anchieta Nery, a quantidade de perfis e grupos em redes sociais manipulados pelos investigados, com o objetivo de manipular a opinião pública.

Na visão do delegado, os crimes foram cometidos com objetivos eleitoreiros, e caracterizam "verdadeiro ato atentatório à democracia".

"A Polícia Civil alerta à população em geral que crimes cometidos em meio virtual, como quaisquer crimes, são passíveis de responsabilização e a Instituição tem o conhecimento técnico e ferramentas necessárias para a realização da investigação policial", avisa o titular da DRCI.

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