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Alvo de suspeita de esquema de PMs com PCC, irmão de Witzel é detido em SP

Douglas Witzel (de azul) ao lado do irmão Wilson Witzel (de laranja) Imagem: Reprodução

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

22/04/2021 15h24Atualizada em 22/04/2021 19h43

Irmão do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o terceiro-sargento da Polícia Militar paulista Douglas Renê Witzel, 42, foi detido na manhã de hoje em uma operação do Ministério Público com a Corregedoria da corporação que mirava ações do PCC (Primeiro Comando da Capital) com auxílio de PMs no interior de São Paulo.

Douglas Witzel é um dos alvos da Operação Rebote, que investiga, desde setembro de 2020, a ação do PCC nas cidades de Itapira, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Estiva Gerbi, Valinhos, Indaiatuba, Jundiaí e Várzea Paulista. Ele foi detido por PMs da Corregedoria em seu apartamento, em Jundiaí. Lá, havia quatro armas, sendo, ao menos uma delas, com numeração raspada.

De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MP, ao apurar e identificar suspeitos de liderar ações do PCC a níveis regional e estadual, a investigação também localizou "eventual participação de policiais militares no esquema criminoso". De acordo com a Promotoria, PMs estavam envolvidos em crimes de furtos de caixas eletrônicos.

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. Outros dois mandados de prisão para PMs e 13 de busca e apreensão foram expedidos pela Corregedoria. Até o início da tarde, o MP informou que foram apreendidos "armas de fogo, grande quantidade de entorpecentes, aparelhos de telefone celular e aproximadamente a quantia de R$ 60 mil em dinheiro".

A Operação Rebote está em andamento. O Ministério Público tem 30 dias para encerrar as investigações, ouvindo os investigados e examinando os materiais apreendidos (documentos e equipamentos eletrônicos), para apresentar a denúncia perante a Justiça Pública, e os investigados podem responder por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídio e ocultação de cadáver.

A reportagem tentou contatar a defesa de Douglas Witzel, mas não conseguiu localizá-la até a publicação deste texto. Por meio de nota, a PM confirmou as informações e disse que "operações dessa natureza são decorrentes do objetivo institucional de depuração interna, mantendo o efetivo da Polícia Militar dentro das linhas da legalidade e da disciplina que norteiam a corporação".

O que implica Douglas Witzel

De acordo com o mandado de prisão, obtido pelo UOL, às 2h30 de 19 de março deste ano, PMs detiveram dois suspeitos que tentariam arrombar cofres e caixas eletrônicos dentro de um supermercado na cidade de Várzea Paulista. Os dois suspeitos teriam confessado que praticariam o crime.

Durante a investigação do caso, foi observado, por meio de câmeras de segurança, que os criminosos fugiram depois de terem sido avisados por alguém pelo celular. A ligação ocorreu no momento em que policiais militares se aproximavam do local. No dia seguinte, a Justiça liberou os dois suspeitos acatando aos pedidos das defesas.

22.abr.2021 - Itens apreendidos durante operação do MP e Corregedoria da PM em Jundiaí Imagem: Divulgação/PM

De acordo com a investigação, outros crimes semelhantes, com envolvimento do PCC com ajuda de PMs, estavam sendo monitorados antes do caso. Como, por exemplo, em 22 de fevereiro de 2021, quando Mateus Henrique Franco Ferreira, o BM, acusado de liderar o PCC na região, ligou para um outro suspeito, identificado como Fabrício Santana, para combinar roubos.

Um dia depois, Fabrício ligou para um número de telefone até então desconhecido. Na ligação, que foi interceptada com autorização judicial, se percebeu, ao fundo, o áudio de comunicação compatível com o sistema de comunicação de policiais militares.

No dia 26 de fevereiro, Fabrício voltou a afirmar durante uma ligação, com outra pessoa, que tinha estreito contato com um policial, citando-o por mais de uma vez como "chefe". Na ligação, Fabrício afirmou que, se houvesse a necessidade de pesquisar placas de carros para os criminosos, ele pediria a esse policial.

Em 19 de março, foi identificada a linha telefônica do "chefe", que conversou por 1 hora e 57 segundos com criminosos ligados ao PCC sobre a organização para o furto ao supermercado de Várzea Paulista.

"Basicamente o policial militar deixou seu telefone ligado durante todo o tempo da ação dos criminosos, a fim de que eles pudessem acompanhar a rede de rádio da polícia militar local", diz a investigação.

Por um momento, durante a tentativa daquele crime, um cabo da PM ligou, por outro celular, para um outro policial, superior a ele hierarquicamente, "para tratar de ocorrência diversa em andamento, distribuída para atendimento de sua unidade de serviço. Na conversa o policial nomeia o outro de 'chefe'", aponta a apuração do Gaeco.

Chefe, segundo a investigação, era Douglas Witzel.

"Douglas Rene Witzel, Comando Grupo Patrulha do pelotão que trabalhava naquele turno de serviço, foi constatado que em 19MAR21, à 1h25min o graduado recebeu ligação do número de telefone cadastrado" em nome do policial que estava em contato direto com os criminosos.

Armas apreendidas

De acordo com o Boletim de Ocorrência que registrou a detenção de Douglas Witzel, no apartamento dele foram encontrados um revólver calibre 38 com a numeração raspada e municiado com seis cartuchos intactos, além de um simulacro de pistola, de uma munição integra calibre 32 e dezenas de cartuchos deflagrados, de calibres 380, 38 e .40.

Ao ser questionado sobre a arma com numeração raspada, Witzel afirmou aos policiais que não sabia que o revólver estava lá e que tal armamento seria do sogro dele, já falecido. A arma e as munições, porém, foram encontradas em um guarda-roupa onde ele costumava guardar os itens pertencentes a ele da PM.

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