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Corpo de jovem é encontrado em matagal na PB; amigo foi preso

Corpo de Patrícia Gomes, de 22 anos, foi encontrado ontem; último contato da jovem com a família foi no domingo (25) - Reprodução/Instagram
Corpo de Patrícia Gomes, de 22 anos, foi encontrado ontem; último contato da jovem com a família foi no domingo (25) Imagem: Reprodução/Instagram

Aliny Gama

Colaboração para o UOL

28/04/2021 22h35Atualizada em 03/05/2021 13h06

O corpo da jovem Patrícia Roberta Gomes da Silva, de 22 anos, foi encontrado ontem, em uma área de mata do bairro Novo Geisel, em João Pessoa. Ela estava desaparecida desde domingo (25), após viajar de Caruaru, em Pernambuco, para a capital paraibana, onde visitaria um colega de escola que foi preso como principal suspeito do crime.

Poucas horas após a vítima ser localizada, a Polícia Civil do estado informou que prendeu o rapaz, identificado como Jonathan Henrique Conceição dos Santos, de 23 anos. As autoridades suspeitam que Patrícia foi assassinada em um "ritual" e que o crime foi premeditado.

Jonathan está preso na Central de Polícia de João Pessoa, onde aguarda audiência de custódia.

A delegada Emília Ferraz, responsável pelo caso, disse que o suspeito foi indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver.

Um amigo do rapaz, identificado como Marcos Mendes, vai responder por favorecimento da prática do crime depois que foi flagrado ajudando ao suspeito, que já era procurado.

Jonathan foi preso por policiais da Forca Tática do 5º Batalhão da Polícia Militar da Paraíba na noite de ontem, no bairro de Mangabeira, zona sul de João Pessoa.

Segundo a delegada, os agentes o encontraram depois que Marcos foi até o apartamento do acusado, na zona sul da capital, pegar alguns pertences para ele.

"Os policiais criaram o argumento de que precisariam levar Marcos até a sua casa e quando chegaram lá, no bairro de Mangabeira, encontraram a moto de Jonathan e o próprio criminoso, que ainda tentou fugir, mas foi preso em flagrante", relatou o tenente-coronel Marcos Barros, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar.

A polícia informou que encontrou no apartamento do investigado um livro sobre rituais e uma espécie de altar, que levou à teoria de que Patrícia foi assassinada durante uma espécie de ritual.

"Além disso, havia uma lista com o nome de 22 mulheres, entre eles estava o de Patrícia, o que leva a polícia a acreditar que o crime foi premeditado", informou a PCPB.

Durante as investigações, um dos vizinhos de Jonathan contou aos policiais que teria visto o suspeito saindo de casa, de madrugada, com um carro de mão carregado com um tambor de lixo.

A testemunha relatou que em certo momento o suspeito deixou o tambor cair, e ele viu que um corpo estava sendo transportado. O homem contou ainda que os dois chegaram a discutir, já que ele questionou o rapaz sobre a situação.

Segundo o vizinho, apesar do flagrante, o investigado retornou rapidamente ao prédio e saiu de motocicleta logo em seguida, levando um saco em cima da moto.

A polícia recolheu imagens de circuito de câmeras de prédios vizinhos que mostraram Jonathan saindo em disparada no veículo, levando um volume avaliado como semelhante a um corpo, enrolado em lençol e um saco plástico.

Uma ação em conjunto entre as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, com cães farejadores, localizou o corpo de Patrícia Roberta em um matagal na zona sul da capital. O corpo estava enrolado em um lençol, coberto por um saco plástico e preso por várias fitas adesivas.

Após perícia no local, o corpo foi trasladado para o IPC (Instituto de Polícia Científica da Paraíba), onde ficou por 24 horas em geladeira apropriada devido ao estado de decomposição, para então serem iniciadas as perícias. A causa da morte só será definida após a necropsia.

O Caso

Familiares de Patrícia Roberta relataram que ela estudou com Jonathan em Caruaru, e mantinha contato com ele havia dez anos.

O último contato que a jovem fez com conhecidos foi por volta do meio-dia do domingo (25), por meio de mensagens enviadas para a mãe.

No mesmo dia, uma campanha para localizar a jovem foi iniciada e, na segunda-feira (26), o pai da jovem foi até João Pessoa tentar localizar a filha, chegando a ir ao prédio de Jonathan, sem sucesso.

Foi quando a família informou o desaparecimento à polícia.

Ao viajar para João Pessoa, Patrícia disse à família apenas que ficaria hospedada no apartamento de um amigo, identificado pelo nome Jonathan. Segundo depoimento da família, ela já havia relatado o comportamento estranho do rapaz pouco antes de desaparecer.

"Jonathan havia prometido a Patrícia que a levaria para conhecer as praias da capital paraibana, mas deixou a moça sozinha no apartamento no sábado (24) à noite, e fechou a porta, alegando que seria para a segurança dela. Ela ficou desesperada e ainda manteve contato com a mãe, Vera Lúcia, até a manhã do domingo (25)", detalhou a PCPB.

"Quando o rapaz retornou, Patrícia desligou o telefone e não deu mais notícias à família", concluíram as autoridades.

Uma prima de Patrícia Roberta, Kally Viviane, reconheceu o corpo da vítima por meio de tatuagens.

Ainda não há previsão de quando será o velório e o enterro do corpo da jovem. A família só irá divulgar detalhes das cerimônias após os trâmites periciais serem finalizados.

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