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1 mês

Temporal obriga 444 pessoas a deixarem casas no Grande Recife

Ed Rodrigues

Colaboração para o UOL, no Recife

15/05/2021 12h16

As chuvas torrenciais que castigam a Região Metropolitana do Recife desde a última quarta-feira (12) desalojaram 349 pessoas e deixaram inabitáveis definitivamente as casas de outras 95, segundo a Secretaria Executiva de Defesa Civil do estado.

De acordo com a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima), até a manhã de hoje choveu no Grande Recife mais de 200 milímetros. O acumulado representa quase a totalidade de todo o mês de maio de 2020, que registou 226,1 milímetros.

Os efeitos colaterais da força das chuvas foram sentidos de perto por centenas de pessoas, que tiveram suas casas alagadas e perderam bens.

Em Jaboatão dos Guararapes, imóveis que margeiam o rio Jaboatão ficaram quase submersos. Moradores do bairro da Muribeca precisaram ser resgatados de bote pelo Corpo de Bombeiros.

O vigilante Matheus Novaes, 32 anos, é uma das vítimas do temporal. Ele teve que esperar o nível da água baixar para retirar móveis e eletrodomésticos —e torcer para que ainda tenham serventia.

"Olha, esse problema da chuva é recorrente, infelizmente. Entra ano e sai ano e as autoridades não conseguem resolver. Este ano foi pior. Choveu mais. E a gente está assim: com as coisas perdidas", desabafou ao UOL.

A rua onde o vigilante mora ainda está alagada, impossibilitando o escoamento da água que invadiu sua casa.

"Juntei o pessoal para me ajudar a botar a água para fora, mas a rua ainda está um rio. Só vou poder limpar quando o nível descer mais. Enquanto isso, estou na casa de um familiar", disse.

No bairro de Cavaleiro, onde uma barreira deslizou e matou quatro pessoas da mesma família, cinco casas foram condenadas pela Defesa Civil de Jaboatão.

Em uma delas morava a costureira Severina Nunes, 56 anos, com o marido e uma neta. Por pouco, o imóvel não deslizou junto com a barreira.

"Foi uma correria. A casa da vizinha foi toda lá para baixo junto com a lama e barro. Uma tragédia. Perdemos nossa casa, mas agradecemos a Deus por nossas vidas", avaliou.

"Vamos esperar a Defesa Civil liberar a gente entrar na casa e tirar nossos pertences, pelo menos. Só não sei como vamos fazer sem a casa", disse.

Fenômeno meteorológico

A Apac informou que as chuvas no Grande Recife são decorrentes de um sistema meteorológico chamado Distúrbio Ondulatório de Leste (DOL).

O fenômeno se desloca do Rio Grande do Norte até alcançar Pernambuco. Ainda segundo a Apac, o sistema é comum e ocorre entre os meses de abril e julho.

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