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Homem branco, suspeito de furtar bicicleta no Leblon, é preso pela polícia

Daniele Dutra

Colaboração para o UOL, do Rio

17/06/2021 13h37Atualizada em 18/06/2021 11h36

Policiais civis da 14ª Delegacia de Polícia do Rio prenderam nesta quinta-feira (16) o suspeito de roubar a bicicleta elétrica da professora de dança Mariana Spinelli no Leblon no último sábado. Agentes identificaram que o responsável pelo crime é Igor Martins Pinheiro, um jovem branco de 22 anos que tem 28 anotações criminais, 14 delas por furto de bicicletas.

A mulher e seu namorado, o estudante de design Tomás Oliveira, acusaram injustamente o instrutor de surfe Matheus Ribeiro, um homem negro de 22 anos. O caso repercutiu após Ribeiro gravar um vídeo da ação e compartilhar em suas redes sociais. Ele acusa o casal de ter feito a abordagem por ele ser negro.

Polícia Civil do Rio prende Igor Martins Pinheiro, homem branco suspeito de furtar a bicicleta que motivou acusação injusta ao instrutor de surfe, Matheus Ribeiro, que é um jovem negro Imagem: Reprodução/TV Globo

Segundo a Polícia Civil, no apartamento do criminoso em Botafogo, também na Zona Sul do Rio, foram apreendidos a bermuda que ele usava no momento do crime e um alicate usado para romper o cadeado da bicicleta. Imagens do circuito de segurança de um prédio próximo mostram que, em menos de dois minutos e de forma discreta, Pinheiro destranca a bicicleta e vai embora.

Spinelli foi até a delegacia ainda no sábado para registrar o furto de sua bicicleta elétrica. O UOL tentou entrar em contato com a jovem, mas ela, assim como seu namorado, apagou as redes sociais após a publicação do vídeo de Ribeiro.

Professora de dança, Spinelli perdeu o emprego por causa da repercussão do caso. Oliveira também foi desligado da empresa em que trabalhava, a rede de papelarias Papel Craft, que pertence à mãe dele, a empresária Maria Eliza Araújo, mais conhecida como Malica Araújo. Spinelli e Oliveira prestaram depoimento na tarde de ontem (16).

A delegada Natacha Alves tipificou a ação dos dois como calúnia e difamação. "Em nenhum momento veio aos autos qualquer menção, por partes destes, no sentido de terem realizado alguma ofensa expressa de caráter racista. Com base também nos elementos do caso, elementos concretos, não houve instauração de inquérito para apurar injuria racial, e sim o crime de calúnia", explicou a delegada em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.

Imagens de circuito de segurança obtidas pela Polícia Civil mostram o suspeito de furtar a bicicleta elétrica de Mariana Spinelli no Leblon; ela e o namorado acusaram um homem negro. Imagem: Divulgação

Dono da bicicleta elétrica há quatro meses, pela qual pagou R$ 4.500, Ribeiro foi abordado pelo casal, que o acusou de roubo. "Você pegou essa bicicleta, ali agora, não foi?", questionou Oliveira. "É sim, essa bicicleta é minha", replicou a moça.

Em uma publicação nas redes sociais, o instrutor de surfe conta que ficou "sem entender nada".

Fui tentar mostrar pros dois que a bicicleta é minha, com fotos antigas com ela, chave, o que foi possível naquele momento de segundo. Porém, eu só consegui provar que a bicicleta é minha, quando, sem minha autorização, o lindo rapaz pega o cadeado da minha bicicleta e tenta abrir. Frustrado com sua tentativa, ele diz que não me acusou, afinal, o rapaz só estava perguntando
Matheus Ribeiro, instrutor de surfe

O vídeo registrado pelo instrutor de surfe já reúne mais de 160 mil visualizações só em sua página.

Errata: o texto foi atualizado
O nome do instrutor de surfe injustamente acusado de roubo é Matheus Ribeiro, e não Matheus Oliveira, como originalmente informado neste texto.

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