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Itanhaém: suspeitos de matar 2 se passam por turistas ao procurar pousada

Dois detidos em Itanhaém após tentativa de roubo que terminou com uma adolescente e um homem mortos Imagem: Reprodução/Polícia Militar

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

26/09/2021 17h31Atualizada em 27/09/2021 13h00

Os suspeitos de terem matado um pedreiro de 44 anos e uma adolescente de 17, além de terem baleado sua mãe e a irmã mais nova, de 12, na noite de sexta-feira (24), em Itanhaém, litoral de São Paulo, foram detidos por policiais militares em uma pousada da cidade, às 19h45, logo após o crime. Segundo a proprietária do estabelecimento, eles chegaram ao local para pedir hospedagem após o latrocínio.

"Eles chegaram bem calmos, procurando hospedagem normalmente como qualquer pessoa", disse ao UOL a empresária, que pediu para não ser identificada. "Eles não estavam hospedados aqui e saíram para cometer os crimes. Eles se hospedaram na pousada pouco tempo depois de cometer esse crime bárbaro. Um deles até disse estar passando mal, devido a um camarão que havia comido na praia."

A empresária acredita que eles entraram no estabelecimento para fugir, se esconder da polícia que, certamente, estaria procurando os criminosos pelas ruas do município. Ela diz que, pouco tempo depois que ambos deram entrada na pousada, a polícia chegou ao local, pois tinham informações de que os suspeitos do crime haviam se hospedado em alguma pousada.

"Foi tudo muito rápido. Somente dois deles se hospedaram, mas em uma suíte para cinco pessoas. Porém, os outros três nem sequer desceram do carro. Não sabíamos se iriam voltar."

O quarto que eles alugaram tinha beliches e uma cama. O pernoite daria direito ao café da manhã, mas eles dispensaram o serviço extra. Cerca de 20 minutos depois, policiais militares chegaram ao local e pediram ao marido da proprietária acesso à gravação das câmeras de segurança — o aparelho porém não estava funcionando.

Enquanto um deles aguardava, outros dois subiram até o quarto e abordaram a dupla, que havia invadido a casa da família, segundo a investigação. Um jovem de 22 anos, identificado como Gustavo Mendes de Menezes, que, de acordo com a polícia, confessou ser o autor dos disparos assim que os policiais chegaram ao estabelecimento, e um adolescente que o ajudou a praticar o assalto.

Após a confissão, a polícia afirma ter descoberto que o rapaz já havia sido preso e era procurado por roubo. Ele havia se beneficiado de uma "saidinha" de Natal, mas não retornou ao presídio na data combinada.

Os outros três suspeitos que, segundo a empresária, permaneceram no carro enquanto a dupla pedia hospedagem na pousada, foram presos pela polícia na altura do km 322 da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em direção a São Paulo. Duas mulheres, de 20 e 26 anos, uma delas grávida, e um homem de 27 anos são suspeitos de ajudar no assalto.

Eles estavam em um veículo prata, que já havia sido flagrado por uma câmera de segurança trafegando por uma rua próxima, no momento em que os dois assaltantes caminhavam em direção à residência.

Graças ao vídeo e à identificação do veículo, a polícia militar teve condições de enviar um alerta às viaturas próximas. Uma delas se dirigiu à pousada onde a dupla se hospedou, prendendo os suspeitos. A outra interceptou os outros três membros do grupo em fuga, no automóvel prata.

A empresária conta que se espantou com a chegada da polícia ao local.

Foi um susto bem grande. Pois como disse, eles não aparentam nada que levantasse suspeita, ainda mais depois de cometer um crime tão terrível. Mas graças a Deus, não houve nada de grave conosco ou nossos hóspedes"
Dona da pousada onde foram presos dois suspeitos de matar duas pessoas num assalto

Autor dos disparos mirou nas cabeças das vítimas

Durante o assalto, foram baleados o pedreiro Geosaldo Cesário Monteiro, que trabalhava na reforma do imóvel, a proprietária da casa e as duas filhas, adolescentes. O autor dos disparos mirou nas cabeças das vítimas, segundo a polícia.

O prestador de serviço foi encontrado amarrado e com um tiro na nuca. Ele e a adolescente morreram momentos depois de darem entrada no Hospital Regional de Itanhaém.

A dona do imóvel foi transferida para o Hospital das Clínicas, em São Paulo, e seu quadro é estável. A filha mais nova foi transferida para o Hospital Irmã Dulce, na Praia Grande, e passou por uma cirurgia de emergência ontem. Segundo apurou o UOL, seu quadro ainda é grave e ela permanece internada na UTI da unidade. Não está descartada a sua transferência para um hospital da capital paulista.

Enterro da adolescente

A família vítima dos criminosos mora em São Bernardo do Campo e possui um imóvel de veraneio em Itanhaém, na orla da praia, de frente para o mar, onde ocorreu o crime. Mãe e filhas estavam na casa para passar o final de semana, mas o marido da proprietária havia permanecido em São Bernardo, devido a atividades do trabalho.

A adolescente de 17 anos será sepultada hoje, em um cemitério da cidade na Grande São Paulo. Ela estudava, assim como a irmã mais nova, no Colégio Anchieta, que chegou a publicar uma nota de pesar nas redes sociais.

Segundo informou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), o caso foi registrado como latrocínio, ato infracional pelo mesmo crime, tentativa de roubo, captura de procurado, apreensão de adolescente e corrupção de menor no plantão permanente da cidade, e encaminhado ao 3º DP, que dará continuidade às investigações.

Latrocínio é considerado como crime hediondo e tem pena prevista de 20 a 30 anos de reclusão e multa.

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