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1 mês

Vídeo mostra mulher sendo agredida por PM durante abordagem em Curitiba

Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

23/10/2021 18h46Atualizada em 23/10/2021 21h51

Um policial militar agrediu uma mulher que já estava imobilizada, na noite de ontem, durante uma operação em Curitiba. Vídeos postados por Stephany Rodrigues em seu Instagram mostram ela sendo derrubada, tendo o cabelo puxado e sendo agredida com a boina de um PM. Nas imagens, não é possível constatar se o PM bate em Rodrigues apenas com a boina ou se usa o objeto como proteção para bater com sua própria mão, no movimento de um soco.

De acordo com o PM que coordenou a ação, a mulher desacatou e tentou agredir policiais. O advogado de Rodrigues caracterizou a ação como "covarde e totalmente desproporcional".

Rodrigues é dona de uma hamburgueria que, segundo a PM, foi alvo de uma operação contra barulho e aglomeração.

A empresária diz ter sido agredida pelos policiais e recebido socos no nariz e na boca. Em seu Instagram, ela publicou um vídeo em que aparece ensanguentada e sentada em um hospital, aguardando atendimento.

A confusão começou após a ação da PM interromper o funcionamento da hamburgueria. De acordo com a PM, o estabelecimento funcionava com público acima da capacidade permitida, tendo em vista as restrições por causa da covid-19, e sem distribuição de álcool em gel. No vídeo, porém, os policiais aparecem sem máscara, item obrigatório na cidade para conter a disseminação do coronavírus.

Logo depois, policiais abordaram um funcionário de uma distribuidora de bebidas, localizada ao lado da hamburgueria. O rapaz, que não foi identificado, foi imobilizado pela PM, que relata desacato e resistência por parte dele.

Rodrigues, então, foi até os policiais para tentar interromper a abordagem e cobrá-los pelo uso de máscara, quando a confusão começou, conforme mostram as imagens.

Em um dos vídeos, o celular da empresária é jogado no chão, e ela passar a xingar os policiais. Momentos depois, é imobilizada e agredida.

No Instagram, Rodrigues publicou um vídeo ao lado de seu advogado, Igor José Ogar, afirmando que irá processar os policiais envolvidos na operação.

Em nota, o advogado repudiou a ação. "Se esses policiais fizeram isso com uma empresária, que paga seus impostos, tendo toda a ação filmada, imagina o que não fariam com pessoas de menor poder aquisitivo que são abordadas em locais ermos, sem nenhum celular ou testemunhas para filmar?", indagou.

O capitão Ronaldo Carlos Gourlart, coordenador da AIFU (Ação Integrada de Fiscalização Urbana) da PM-PR, que participou da operação, disse ao UOL que a ação foi ampla e pretendia dispersar pessoas que se concentravam na rua da hamburgueria para beber e ouvir música alta, incomodando vizinhos.

Ele defendeu o policial que agrediu Rodrigues e disse que ela teve um comportamento "destemperado". O capitão também afirmou que os policiais foram frequentemente desacatados durante a abordagem.

"Ela se dirigiu a pelo menos três militares chamando-os de 'filhos da p...', também tentou dar um tapa no rosto de um e deu um tapa no rosto de outro", afirmou à reportagem.

Questionado se a agressão após a empresária ter sido imobilizada estava dentro dos parâmetros de atuação da PM, o capitão respondeu que "ela tentou morder a perna do policial. Foi nesse momento que ele pegou a boina dele, que tinha caído no chão pela resistência dela, e bateu na cabeça dela com a boina", disse. "A boina é de tecido, é leve, jamais faria uma escoriação, uma fratura. Ele fez isso porque ela estava mordendo. Ele fez isso uma vez."

Ogar questiona a fala do capitão. "O que mais choca a sociedade é um capitão, que deveria comandar a operação e reprimir tal barbárie por parte de agentes públicos, ter o despautério e a desfaçatez de afirmar que a boina é leve e não deixa lesão [aprovando a conduta agressiva]", disse. "Faço a seguinte indagação: bater com um chinelo de dedo na cara dele, ou algo assim, é permitido? O chinelo é tão leve quanto uma boina ou uma cinta."

O UOL questionou o capitão se haverá investigação sobre a conduta do policial. O agente respondeu que, caso haja representação formal de denúncia ou decisão do alto comando da PM, as imagens serão analisadas.

"É uma questão muito delicada. Vamos nos colocar no lugar do sargento, que tem de tomar decisões em questão de segundos. Tivemos excelentes resultados [em toda a operação]. Mas há situações que podem ser analisadas, discutidas e aperfeiçoadas".

Sobre o fato de os policiais não estarem usando máscara de proteção nas imagens, Goulart disse que haverá um reforço na orientação sanitária. "A máscara é uma orientação do comando para todos policiais. Em algumas situações, quando há distanciamento, é diferente. Mas reforçaremos a orientação", disse.

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