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Defensor público cita Djokovic e Hitler para criticar vacina obrigatória

Jovino Bento Júnior gerou polêmica por fala anti-vacina em que citou Hitler e Djokovic - Reprodução
Jovino Bento Júnior gerou polêmica por fala anti-vacina em que citou Hitler e Djokovic Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL, em Alagoas

18/01/2022 15h05

O defensor público Jovino Bento Júnior gerou revolta durante a reunião do CSDPU (Conselho Superior da Defensoria Pública da União), realizada na última sexta-feira (14), quando fez menções ao tenista sérvio Novak Djokovic e ao líder nazista Adolf Hitler para criticar a obrigatoriedade da vacinação contra o coronavírus.

Na ocasião, o CSDPU se reuniu para decidir sobre a instituição da exigência da vacinação para ter acesso às unidades da DPU (Defensoria Pública da União), proposta da qual Jovino se mostrou contra, e citou como exemplo a Austrália, que recentemente vetou a entrada de Djokovic no torneio de tênis Australian Open, devido ao fato de o atleta se recusar a receber o imunizante contra a covid-19.

Para Bento Júnior, a Austrália agiu de forma pior que Adolf Hitler ao não permitir a participação do tenista, pois o ditador de extrema-direita não expulsou o atleta negro Jesse Owens, nas Olímpiadas de Berlim em 1935, quando ele fez história ao ganhar quatro medalhas de ouro, em plena Alemanha nazista.

"Nem Hitler fez com Jesse Owens na Alemanha o que o governo da Austrália está tentando fazer com Djokovic. E é exatamente isso. Jesse Owens foi aquele negro que ganhou quatro medalhas olímpicas nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, né, tudo sendo assistindo por Hitler. E Hitler não o impediu de competir, de entrar no país, como começa a se ver hoje nos países", declarou.

Posteriormente, alguns membros presentes na reunião se revoltaram com a comparação feita pelo defensor público, classificada como "absurda". O conselheiro Antonio de Maia Pádua afirmou ser "inadmissível" a fala do colega, e pontuou que nada que tenha sido defendido por Adolf Hitler deva ser considerado como bom exemplo.

"Não se pode admitir que alguém acorde cedo, se prepare, ponha um terno e uma gravata para vir elogiar a conduta de Hitler perante o Conselho Superior da Defensoria ou qualquer outro lugar! Ou qualquer outro lugar! Não... Nada que venha dali é paradigma, é exemplo, é algo a ser imitado. Nada", afirmou Pádua.

Durante a reunião, Jovino explicou que não recebeu o imunizante contra a covid por fazer parte do "grupo com contraindicação à vacina", e salientou que o Ministério da Saúde, gerido por Marcelo Queiroga, não apoia a obrigatoriedade do imunizante no país, ainda que a vacina seja o meio mais eficaz de combater o coronavírus e atenuar os sintomas da doença. O defensor também rechaçou a pecha de "negacionista" e disse que a proposta da DPU é uma forma de "punição" — anteriormente, Bento Júnior foi assunto na imprensa em 2020 após ir à Justiça contra o Magazine Luiza por um programa de trainee dedicado a jovens negros.

No final, apesar das ressalvas de Jovino, ele não foi acompanhado por seus pares, e a proposta de autoria do defensor Russel Brandão Cavalcanti, que determina a exigência da vacinação nos espaços comandados pela DPU, foi acatada pelo Conselho.

Entenda a polêmica com Djokovic

No último domingo (16), o Tribunal Federal australiano decidiu, por unanimidade, deportar o tenista Novak Djokovic, após o atleta não cumprir as regras sanitárias preconizadas pelo país, que determina a necessidade da vacinação contra a covid-19 em seu território.

Com a decisão, Djokovic deixou a cidade de Melbourne e desembarcou em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em seu perfil no Instagram, o tenista número um do mundo informou que irá tirar "algum tempo para descansar, antes de fazer mais comentários".

Importância da vacina

A vacina é o meio mais eficaz de combater o coronavírus e atenuar os sintomas da doença. No país, os imunizantes começaram a ser aplicados na população no ano passado e, na medida em que crescia a adesão das pessoas à vacinação, houve diminuição nos números de mortos, notificações e casos graves.

Com o surgimento da variante ômicron, com alto poder de penetração, foi constatado que entre aqueles que se vacinaram e testaram positivo para a doença, os sintomas foram leves, sem necessidade de hospitalização — no Rio de Janeiro, por exemplo, a maioria dos internados com a doença não completaram a vacinação e 38% não receberam nenhuma dose.

Em São Paulo, 8 em cada 10 pacientes internados no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência no tratamento da covid no estado, não tomaram vacina contra a doença ou não completaram a imunização.

Recentemente, o país iniciou as campanhas para imunizar as crianças com idades entre 5 e 11 anos, após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar o imunizante da Pfizer para a população nessa faixa etária.

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