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Bebê recebe vacina equivalente a 6 doses da que deveria ser aplicada

Bebê recebeu vacina da Pfzier contra covid-19 ao invés de pentavalente - Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Bebê recebeu vacina da Pfzier contra covid-19 ao invés de pentavalente Imagem: Aloísio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Luiz Fernando Figliagi

Colaboração para UOL, em Ribeirão Preto

28/01/2022 20h46

Um bebê de seis meses de idade que deveria ser imunizado com a vacina pentavalente recebeu por engano uma aplicação da vacina da Pfizer para covid-19, equivalente a seis doses do indicado para bebês. O caso aconteceu em Altinópolis, interior de São Paulo, no último dia 17 de janeiro.

Segundo a mãe da criança, que prefere não se identificar, a dose injetada corresponde ao imunizante que é aplicado em adultos.

"Eu fui avisada assim que a vacina foi aplicada, eu estava indo embora e a técnica me chamou de volta", comenta.

Segundo a mãe, a técnica de enfermagem que administrou a dose agiu de forma rápida e reconheceu o erro.

O caso foi passado para a vigilância epidemiológica da cidade, que acionou a secretaria de saúde e encaminhou o bebê para o Hospital de Misericórdia de Altinópolis.

"As reações que ela teve foram febres no dia e dor local. Ela não movimentava a perninha, mas aí a febre foi cessando e as dores também, e o movimento da perninha foi voltando", diz a mãe.

A criança ficou internada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) até o dia 21 de janeiro, na ala da pediatria. Já em casa, ela passa bem, mas é acompanhada e monitorada pelos profissionais do HC.

"O que os médicos dizem é que o período crítico já se passou, hoje está com onze dias da aplicação, porém ela teve alterações laboratoriais, então, por esse motivo, ela está refazendo novos exames para ver se essas alterações já se normalizaram", explica a mãe.

Segundo ela, os médicos não conseguem falar muito sobre os efeitos da Pfizer, pois a vacina é muito nova e por isso o acompanhamento da filha é constante. "No momento a gente fica muito assustada, muito abalada, porque você não sabe o que pode acontecer."

Quais os riscos?

Segundo o médico e vacinologista Éder Minari, que trabalha com uma clínica de vacinas em Ribeirão Preto há 15 anos, a bebê de seis meses não corre risco de sofrer com danos sérios por conta da vacina.

"Os estudos da vacina são feitos por cortes de faixa etária, pois cada indivíduo responde às vacinas dependendo da sua capacidade imunológica. O recém-nascido apresenta sistema imunológico imaturo (ele vai produzindo seus próprios anticorpos com o decorrer da idade), o que os deixas mais suscetíveis aos agentes infecciosos", explica o vacinologista.

Segundo Minari, nessa fase da vida há dois dos cinco anticorpos (imunoglobulinas) fundamentais para os bebês: o anticorpo A (IgA) que é transferido pelo leite materno e o anticorpo G (IgG) que tem a função de neutralizar os corpos estranhos.

"Como a criança tem metade do material genético do pai, ela representa um corpo estranho no organismo da mãe. Se até por volta do sétimo mês a mãe eliminou o IgG para preservar a gestação, a partir daí ela transfere para o feto a fim de expulsá-lo (nascimento), por isso o IgG, presente na criança até por volta do nono mês, denominamos de anticorpos maternos" explica.

De acordo com o médico, é por esse mesmo motivo que até o sexto mês se repete às mesmas vacinas. "Elas são metabolizadas e eliminadas, repetimos as mesmas vacinas a cada 60 dias."

Minari fala que mesmo com uma carga maior, o que pode ocorrer é uma febre mais intensa e dor local (produção de anticorpos é inflamatório), sintomas que foram relatados pela mãe da criança.

"Mesmo com uma dose mais potente, o tempo de atuação é o mesmo da dose estabelecida para esta idade (1/3 da doses), vale lembrar que a Coronavac utiliza a plena, a mesma do adulto, assim, em mais ou menos 60 dias a vacina vai perdendo a capacidade de estimular a produção de anticorpos", diz.

Secretaria de Saúde de Altinópolis monitora o caso

Ao UOL, a pasta responsável pela saúde explicou que o monitoramento da bebê de seis meses segue sendo feito pela equipe de saúde do município e pelo HC criança.

"Toda a ocorrência foi comunicada ao Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo e foi aberto processo administrativo para apurar a conduta da técnica de enfermagem", afirma a secretaria.

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