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PMs do RJ incluíram milicianos em grupos de WhatsApp de operações, diz MP

20.mai.2022 - Armas apreendidas em operação que prendeu PMs suspeitos de ajudar a maior milícia do RJ - Divulgação/PCRJ
20.mai.2022 - Armas apreendidas em operação que prendeu PMs suspeitos de ajudar a maior milícia do RJ Imagem: Divulgação/PCRJ

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

20/05/2022 15h37Atualizada em 20/05/2022 17h18

Investigação do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) em conjunto com as corregedorias das polícias Civil e Militar aponta que agentes de segurança adicionavam lideranças da maior milícia em atividade no estado em grupos de WhatsApp onde eram orquestradas ações policiais.

Até as 17h de hoje, oito pessoas, entre agentes penitenciários e PMs, foram presas na Operação Heron, deflagrada contra agentes públicos suspeitos de serem aliados da milícia comandada por Zinho, irmão de Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em junho de 2021. Uma delegada foi alvo de busca e apreensão.

Os criminosos eram adicionados em grupos no aplicativo de mensagens com o objetivo de possibilitar à milícia acesso a informações privilegiadas, informou a promotora Thaianne Moraes.

"Alguns dos agentes eram encarregados de colocar as lideranças desse grupo de milicianos dentro de grupos de Whatsapp para se antecipar à atuação policial, de modo a frustrar uma operação ou outra diligência que fosse enfraquecer as ações criminosas."

De acordo com ela, presentes e quantias em dinheiro também eram recebidos por agentes de segurança em troca de informações que os criminosos avaliassem relevantes para a salvaguarda do grupo.

Homem de confiança de Ecko em grupos da polícia

Ainda de acordo com as investigações, Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça, foi um dos milicianos adicionados em grupos de WhatsApp da polícia.

Segundo investigações, ele era um dos principais homens de confiança de Ecko e responsável pela gestão de valores da quadrilha —provenientes de extorsões e taxas de "segurança".

"Com relação aos outros policiais penais, havia uma relação promíscua de troca de presentes, infiltração do próprio Garça, que já possuía mandado de prisão desde 2018, em grupo de policiais do estado todo. Incluíam ele como policial, embora não fosse", disse Thiago Neves, delegado da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais).

Apesar de ser alvo de pedido de prisão, setores de inteligência dizem acreditar que Garça tenha sido morto a mando de Ecko, em decorrência de uma divergência na quadrilha.

Escolta com viaturas

Os suspeitos repassavam detalhes de investigações e facilitavam a movimentação de criminosos com uma escolta que utilizava até viaturas oficiais.

A investigação também identificou que os agentes ajudavam a organização criminosa dentro do presídio.

"Tentavam dar a facilidade aos comparsas naquele interior", informou Neves, da Draco.

Segundo as investigações, os PMs envolvidos, que eram lotados no 27º BPM (Santa Cruz), manipulavam o policiamento para auxiliar no deslocamento de integrantes da própria organização e fazerem cerco a grupos rivais.

Uso de senha de delegada a pedido de miliciano

Ainda de acordo com as investigações, a senha da delegada Ana Lúcia da Costa Barros foi usada para acessar detalhes de uma placa de um veículo a mando de Garça.

Em uma conversa obtida, o miliciano pede ao agente penitenciário André Guedes, marido de Ana Lúcia, para "levantar uma placa". Segundo o MPRJ, o criminoso estava desconfiado de um veículo e queria saber se o carro se tratava de um viatura descaracterizada da Polícia Civil.

"Estamos analisando para saber se houve a participação dela, se vai ser oferecida denúncia ou se vamos aprofundar mais as investigações contra ela para chegar a alguma conclusão quanto a conduta dela, se é que ela tem alguma participação", disse o promotor André Cardoso.

Os suspeitos

Os alvos identificados foram Francisco Anderson da Silva Costa, o Garça, Luiz Bastos de Oliveira Júnior, conhecido como "Pqdzinho", e os policiais militares Matheus Henrique Dias de França, o Franc, Leonardo Corrêa de Oliveira, o Sgt. Oliveira, e Pedro Augusto Nunes Barbosa, o Nun.

Já entre os agentes penais estão André Guedes Benício Batalha, o Gue, Edson da Silva Souza, o Amigo S; Ismael de Farias Santos; Alcimar Badaró Jacques, o Badá; Carlos Eduardo Feitosa de Souza, o Feitosa ou Feio; e Wesley José dos Santos, o Seap.

A polícia investiga ainda se a delegada Ana Lúcia da Costa, mulher de Gue, acessou o próprio banco de dados da Polícia Civil para ajudar a quadrilha.

A reportagem não localizou a defesa dos suspeitos que são alvos da operação. O UOL também procurou a PM sobre o destino dos agentes suspeitos, mas a corporação não respondeu.

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