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Sobe para 22 número de mortos em ação policial no Rio de Janeiro

Igor Mello

Do Rio de Janeiro

24/05/2022 12h32

Subiu para 22 o número de mortos em uma operação conjunta entre Bope (Batalhão de Operações Especiais) e PRF (Polícia Rodoviária Federal), na manhã de hoje, na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha (zona norte do Rio). Ao menos sete pessoas ficaram feridas, entre elas um policial civil, que foi baleado no rosto — ele participava da perícia em um dos locais.

A informação sobre o número de mortos e feridos foi passada pela assessoria de imprensa do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, para onde eles estão sendo levados. Segundo a unidade, 21 pessoas morreram. A 22ª morte é uma moradora da região identificada como Gabrielle, que foi atingida por um disparo, segundo informou a PM. O corpo dela não foi levado ao hospital.

Após uma madrugada tensa, a Vila Cruzeiro registrou novamente tiroteio no final da manhã de hoje e na metade da tarde. Ao meio-dia, a reportagem esteve perto de uma das entradas da comunidade e constatou que o tiroteio havia recomeçado. Era possível ouvir rajadas de diferentes calibres. Reforços do Batalhão de Choque se deslocaram para a área. Por volta das 16h, houve novo tiroteio, que durou não mais de cinco minutos.

O policial civil baleado, identificado como Sérgio Silva do Rosário, deu entrada no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e foi levado por uma viatura da PRF. Segundo a unidade de saúde, ele teria sido atingido no nariz, mas chegou lúcido ao hospital. Ele passaria por cirurgia para retirar a bala, que ficou alojada em seu corpo.

O chefe da Delegacia de Homicídios, delegado Alexandre Herdy, afirmou que a equipe que fazia a perícia foi encurralada por traficantes. O UOL apurou que os policiais civis tiveram que abandonar uma viatura no local do confronto.

"Ao chegar lá, as equipes foram encurraladas e surpreendidas por disparos vindos da mata, do alto do morro. Não houve possibilidade de reação. Eles ficaram cercados durante um tempo, mas conseguiram aos poucos retrair e socorrer o colega.".

Por conta do tiroteio, a perícia de local foi suspensa. A DH pediu reforços para tentar completar o trabalho.

Moradora está entre mortas em operação

Inicialmente, a Polícia Militar e o Hospital Estadual Getúlio Vargas informaram que 11 pessoas haviam morrido durante a ação policial. Porém, ao longo da tarde, o número foi atualizado para 22. O número de feridos também foi revisado para sete.

Pela manhã, quando o número de mortos era de 11 mortos, a PM disse que entre as vítimas mortas na operação estava uma moradora do Complexo da Penha e outras dez pessoas que seriam suspeitas de atividade criminosa, mas não haviam tido a identidade revelada.

Houve apreensão de sete fuzis e quatro pistolas na operação. O Ministério Público disse que a ação policial foi autorizada após movimentação de criminosos do CV (Comando Vermelho) da Vila Cruzeiro para a Rocinha.

Já a Defensoria Pública criticou a operação, dizendo que "jamais seria tolerada em bairros nobres" do Rio. O MPF (Ministério Público Federal) anunciou a abertura de procedimento investigatório para condutas e possíveis violações cometidas por policiais de forma individual.

Segundo a PM, a moradora foi atingida enquanto as equipes do Bope e da PRF estavam se preparando para iniciar a incursão. De acordo com a corporação, "criminosos começaram a fazer disparos de arma de fogo na parte alta da comunidade".

A mulher morreu na região da Chatuba, uma comunidade fora da área de atuação das forças de segurança, afirmou a Polícia Militar. Os tiros na região da Penha começaram por volta de 4h20. Moradores relatam momentos de terror durante a ação policial.