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Após morte em abordagem, PRF diz que usou 'técnicas de menor agressividade'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/05/2022 14h02Atualizada em 26/05/2022 14h02

Genivaldo de Jesus Santos, um homem negro de 38 anos, morreu após ser abordado por policiais rodoviários federais de Umbaúba, município no litoral sul de Sergipe. A ação aconteceu na tarde de ontem e, segundo nota oficial da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Sergipe, "técnicas de menor agressividade" teriam sido aplicadas para dominar o homem, destoando do conteúdo gravado por testemunhas durante o incidente. A corporação ainda citou que ele "passou mal" ao ser levado da estrada em que foi abordado.

Vídeos da abordagem e detalhes do boletim de ocorrência mostram que os policiais usaram o que pareciam ser bombas de gás lacrimogêneo para conter Genivaldo. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) afirma que a causa de sua morte foi "insuficiência [respiratória] aguda secundária a asfixia".

Genivaldo foi abordado em uma blitz na rodovia BR-101, enquanto pilotava uma motocicleta. Imagens captadas por testemunhas presentes no momento da ação mostram três agentes da PRF tentando imobilizar o homem de 38 anos após identificarem uma cartela de remédios entre seus pertences.

Em nota oficial encaminhada à imprensa após a morte de Genivaldo, a PRF de Sergipe disse lamentar o ocorrido. Em seguida, o órgão ainda afirmou que um procedimento disciplinar foi aberto para investigar a conduta dos policiais envolvidos — uma ocorrência também foi registrada junto à Polícia Judiciária, que irá apurar o caso. Ainda não foi informado se os agentes serão afastados.

Ainda em nota, a corporação narrou que, durante a abordagem, o homem de 38 anos "resistiu ativamente a uma abordagem de uma equipe da PRF". Em razão da "agressividade" de Genivaldo, segundo a corporação, os agentes empregaram "técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção e o indivíduo foi conduzido à delegacia da polícia civil da cidade". Não ficaram claras, no entanto, quais foram as técnicas e instrumentos utilizados pelos policiais e que tipo de gás foi lançado no porta-malas da viatura.

No comunicado, a PRF ainda narrou que Genivaldo "foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil. No entanto, durante o deslocamento, passou mal, foi socorrido e levado para o Hospital José Nailson Moura, onde posteriormente foi atendido e constatado o óbito".

Na manhã de hoje, a Polícia Federal emitiu uma nota afirmando que instaurou um inquérito policial para investigar as circunstâncias da morte de Genivaldo.

"Diligências acerca do caso já foram iniciadas, e a PF trabalha para esclarecer o ocorrido o mais breve possível", pontuou o comunicado. A Polícia Civil, por sua vez, informou que já colheu depoimentos prestados por testemunhas e familiares do homem na delegacia da cidade.

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