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Cotidiano

Suspeito diz à polícia que esquartejou e enterrou corpos de Dom e Bruno

Eduardo Militão e Herculano Barreto Filho

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

15/06/2022 16h34

O pescador Amarildo da Costa Oliveira, o "Pelado", 41, afirmou à Polícia Federal que esquartejou e enterrou os corpos do indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da Funai (Fundação Nacional do Índio), e do jornalista Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian.

Em depoimento recente (entre ontem e hoje), Amarildo negou ter atirado na dupla, segundo fonte da PF ouvida pelo UOL. O pescador disse aos policiais que recebeu os corpos queimados, mas de forma que seria possível identificá-los.

Nesse depoimento, Amarildo afirmou que uma segunda pessoa o ajudou a esquartejar e a enterrar os corpos. O pescador ainda acusou uma terceira pessoa de disparar contra o indigenista e o repórter —as identidades dos suspeitos apontados por Amarildo não foram reveladas à reportagem. As buscas continuam na Amazônia.

A Polícia Federal do Amazonas levou hoje Amarildo ao local das buscas. Uma embarcação com o suspeito e policiais subiu o rio Itaguaí, percorrido por Bruno e Dom quando foram vistos pela última vez no dia 5 no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte (AM).

Até as 17h (horário de Brasília), os policiais federais continuavam na mata com Amarildo em busca do local onde ele diz ter enterrado os corpos.

Em nota, o comitê de crise coordenado pela Polícia Federal disse que "há previsão de conclusão de parte das análises periciais ainda nesta data [hoje]".

A Polícia Federal prendeu ontem Oseney da Costa de Oliveira, 41, o segundo suspeito de envolvimento no crime. Ele é irmão de Amarildo, que foi preso em flagrante no dia 7 por porte de munição de uso restrito.

Após agentes encontrarem vestígios de sangue no seu barco, Amarildo teve a prisão temporária decretada por suspeita de envolvimento no desaparecimento. O material está sob análise de peritos em Brasília.

Segundo depoimentos à PF, Amarildo seguia de lancha a embarcação de Bruno e Dom. Na sexta (10), uma testemunha disse à Polícia Civil ter visto Amarildo acompanhado de outro homem no barco. No entanto, a PF não divulgou se o suspeito é Oseney. Amarildo e o irmão moram na comunidade São Gabriel, habitada por ribeirinhos que vivem de pesca e da agricultura.

Onde o indigenista e o jornalista desapareceram - Arte/UOL - Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Bombeiros mergulhadores encontraram durante as buscas uma mochila de Dom submersa amarrada junto a uma árvore, segundo a PF. Também foram localizadas roupas, calçados e um documento de Bruno.

Segundo os profissionais envolvidos nas buscas, havia indicativo de tentativa de ocultar o material, já que os pertences estavam presos à vegetação. O material foi levado para perícia em Tabatinga (AM).

As equipes de buscas intensificaram os trabalhos em uma região onde havia vestígios na vegetação de ingresso de uma embarcação.

Bruno e Dom foram vistos pela última vez na tarde de 5 de junho no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte (AM), no Vale do Javari.

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