UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA

15/05/2007 - 16h54

Dólar rompe a barreira dos R$ 2 e fecha a R$ 1,982, menor valor em 6 anos

Da Redação
Em São Paulo
O dólar rompeu a barreira dos R$ 2 pela primeira vez em seis anos e fechou esta terça-feira vendido a R$ 1,982. Foi a menor cotação desde 12 de fevereiro de 2001.

A desvalorização foi de 1,34% em relação a ontem. Durante o dia, a moeda norte-americana chegou a ser cotada a R$ 1,979.

Segundo operadores, nem mesmo o leilão de compra de dólares do Banco Central à tarde foi suficiente para conter o declínio, já que a entrada da moeda no país tem sido intensa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brasil está comprando "muitos dólares" para tentar conter a forte valorização do real, e que, em vez disso, precisa aumentar as importações de bens de capital (máquinas para produção) e de tecnologia para que o país possa competir com a China.

Se o atual cenário mantiver-se estável, sem crises econômico-financeiras, o dólar comercial não deverá recobrar patamares mais elevados tão cedo. Analistas prevêem redução a até R$ 1,85. A desvalorização no ano pode chegar a 9%. Ou seja, aplicar em dólares neste momento pode não ser uma boa alternativa. Leia mais.
INVESTIR AGORA É ARRISCADO
O dólar está baixando porque há excesso dele na economia brasileira. Um produto tende a se desvalorizar sempre que se torna abundante no mercado. A quantidade de dólares disponíveis no Brasil vem aumentando nos últimos meses, o que reduz o seu valor.

A entrada da moeda norte-americana no país se intensificou em virtude do aumento das exportações e do investimento estrangeiro direto, entre outros meios. As exportações trazem dólares porque os fabricantes nacionais recebem essa moeda quando vendem seus produtos para o exterior. Investimentos diretos significam aplicações que empresas ou investidores de fora fazem no país, o que também traz moeda estrangeira para as fronteiras nacionais.

A desvalorização do dólar no Brasil acompanha, ainda, um fenômeno mundial. O aumento do peso comercial da China e o maior volume de negócios em euros reduz a demanda pelo dólar.







Os déficits comerciais (importações maiores que exportações) sistemáticos e elevados dos Estados Unidos também pressionam a moeda norte-americana para baixo, na medida em que aumentam a quantidade de dólares disponíveis no resto do mundo.

Desde o início do ano, o Banco Central vinha comprando dólares em doses altas, operação que diminui a oferta da moeda no mercado e tende a conter a desvalorização. Só nos quatro primeiros meses do ano, o BC comprou US$ 33 bilhões. No ano passado inteiro, a instituição adquiriu US$ 34 bilhões.

A queda do dólar abaixo de R$ 2 pela primeira vez desde fevereiro de 2001 tem efeitos diferentes nos setores econômicos. No turismo, por exemplo, é positiva, pois os brasileiros, com mais poder de compra, podem viajar mais para o exterior. Para exportações, a queda do dólar deixa os produtos do país mais caros nos mercados internacionais, o que tira a competitividade da indústria nacional. Leia mais
QUEM GANHA, QUEM PERDE
Se consideradas as compras de dólares à vista e no mercado futuro (em que o BC compra a moeda estrangeira, mas paga, em data futura, um valor pré-estipulado), o Banco Central já adquiriu mais de US$ 50 bilhões do início do ano até o final da semana passada.

Competir com a China
Segundo Lula, o governo não tem uma "solução mágica" para a forte valorização do real, que vem reduzindo a competitividade das exportações brasileiras no exterior.

O governo precisa oferecer incentivos aos exportadores para que possam competir com a China, disse o presidente. Para ele, o gigante asiático é o concorrente natural do Brasil no mercado externo, acima de países como Estados Unidos ou os da União Européia.

"Não há milagres. A mudança continuará sendo flutuante", disse o presidente, ao indicar que o governo não pretende modificar diretamente o regime cambial -que é livre desde 1999- para conter a valorização do real, como exigem alguns exportadores.

"Precisamos ter medidas tributárias para que as empresas brasileiras que produzem e competem com produtos chineses no mercado internacional possam ter competitividade. Incentivar essas empresas para que tenham inovação tecnológica", disse.

(Com informações de EFE, Reuters e Valor Online)
Mais
O real forte hoje é bom ou ruim para o país? OpineGrupos de Discussão UOL
Mantega descarta "aventura" para conter cotação
Benefícios para setores afetados saem no 1º semestre, diz Bernardo
Meirelles diz que BC não tem meta para a cotação
Indústria lamenta e cobra medidas
Investir agora é arriscado, dizem analistas
Juro mais baixo pode amenizar real forte, diz Lula
Veja entrevista de Lula sobre a queda do dólarVídeo
Cotação baixa estimula eficiência da indústria, diz economistaVídeo
Para associação, câmbio pode levar a desindustrialização do paísVídeo
Segundo economista, prejudicados são os que mais geram empregosVídeo
Saiba quem ganha e quem perde com dólar a R$1,99
Bovespa fecha esta terça praticamente estável
Leia outras notícias em UOL Economia

Shopping UOL