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26/07/2007 - 18h49

Bolsa cai 3,76%, na 3ª maior baixa do ano; investidores fogem de emergentes

Da Redação
Em São Paulo
A Bolsa de Valores de São Paulo despencou 3,76%, a 53.893 pontos, com investidores fugindo de mercados de risco, como os de países emergentes, e buscando aplicações mais seguras.

Todas as 59 ações do Ibovespa (Índice Bovespa, o principal da Bolsa paulista) encerraram o dia em baixa.

Foi o terceiro pior fechamento da Bolsa brasileira no ano. No dia 27 de fevereiro, a baixa foi de 6,63%, consequência do forte recuo na China e nos Estados Unidos. Na última terça-feira, a queda foi de 3,86%, com preocupações com o crédito de alto risco nos EUA.

O Tesouro Nacional decidiu suspender o leilão de títulos prefixados previsto para esta quinta-feira. O objetivo é não sancionar taxas de juros mais altas, afirmou o coordenador-geral da dívida, Guilherme Pedras. Ele acredita que a queda dos mercados é pontual e que a situação deve melhorar no curto prazo.
TESOURO SUSPENDE NEGÓCIO
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Nesta quinta-feira, o Ibovespa chegou a cair 6,02%, por volta das 15h50, mas depois recuperou parte dessa perda. Por volta do meio dia (horário de Brasília), a Bolsa de Nova York impôs limites às negociações para evitar queda maior. Mesmo assim, os principais índices norte-americanos de ações fecharam em baixa de mais de 2%.

Com a queda de hoje, a Bolsa brasileira perde todos os ganhos obtidos no mês, que, até segunda-feira, acumulavam alta de quase 7%.

Também na Europa, as principais Bolsas fecharam no negativo, afetadas pelas notícias vindas dos Estados Unidos.

Indícios de pioras no mercado de crédito de segunda linha, o chamado "subprime", aumentam a aversão dos investidores ao risco. A maior preocupação com o setor imobiliário também contribuiu para a queda. Ainda, um aumento do preço do petróleo ajudou a puxar para baixo os mercados de ações.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou nesta quinta-feira que a queda dos mercados globais de ações é um caso de volatilidade que está sempre presente no setor financeiro. Para ele, a economia norte-americana está saudável e a expansão global ainda é forte. O problema, disse Paulson, é que isso também levou investidores a serem menos cautelosos
EUA MINIMIZAM QUEDA
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Crédito
A notícia de que dois fundos de "hedge" suspenderam resgates provocou receio nos investidores, que passaram a reduzir sua exposição a riscos e venderam papéis que possuem nos mercados emergentes, como o Brasil.

"Hedge" é uma proteção contra variação de preços de mercadorias, ações, taxa de câmbio e outras aplicações. Fundos de "hedge" são aqueles que buscam fazer uma operação para neutralizar eventuais perdas em outra.

Problemas no mercado de crédito ganham importância porque, nos últimos meses, foram anunciadas grandes operações de fusões e aquisições de empresas no Brasil e no mundo. Esses negócios normalmente envolvem empréstimos de grandes proporções.

Crise imobiliária
As vendas de residências novas nos Estados Unidos caíram de 893 mil em maio para 834 mil em junho, na taxa anualizada (valor do mês transposto para um número anual). A previsão de economistas era de que o número subisse para 900 mil. O dado aumenta a preocupação com crise no setor imobiliário norte-americano.

Ainda, os preços do petróleo subiram em Nova York e aumentaram o receio de que a energia mais cara venha a reduzir o gasto dos consumidores. Também contribuiu para a queda das Bolsas a divulgação, pelo governo norte-americano, de um relatório mostrando aumento menor do que o esperado nas encomendas de bens duráveis em junho nos EUA.

Futuro incerto
O analista Fernando Góes, da WIN, serviço da corretora Alpes, avalia que a volatilidade deve continuar muito elevada. "Ainda é cedo para afirmar qualquer cenário com certeza, sendo preciso aguardar como se desenha a trajetória dos indicadores no gráfico", disse.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto da turbulência, e depois disse que o Brasil está em posição mais sólida e tem armas para se defender da volatilidade dos mercados.

(Com informações da Reuters)

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