! Colombiano Moreno vence eleição para presidente do BID - 27/07/2005 - EFE - Economia
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27/07/2005 - 17h07
Colombiano Moreno vence eleição para presidente do BID

Por Piedad Viñas Washington, 27 jul (EFE).- O embaixador da Colômbia na Casa Branca, Luis Alberto Moreno, foi eleito nesta quarta-feira para dirigir o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a partir de outubro, num pleito em que derrotou o brasileiro João Sayad, entre outros.

"Houve apenas uma votação. Não foi unânime, mas conseguiu uma maioria absoluta", disseram fontes da instituição financeira presidida nos últimos 17 anos pelo espanhol de nascimento e uruguaio de nacionalidade Enrique Iglesias.

A partir de outubro e por um período de cinco anos, Moreno será o principal responsável pelas operações do Grupo BID, formado não só pelo Banco, mas também pela Corporação Interamericana de Investimentos (CII) e pelo Fundo Multilateral de Investimentos (Fomim).

"É uma honra muito grande para mim...e para a Colômbia", declarou o eleito pouco depois da conclusão da reunião dos Governadores do Banco, realizada no Auditório Andrés Bello da sede central da instituição, em pleno centro de Washington.

Em frente ao edifício, Moreno aproveitou a ocasião para agradecer os apoios recebidos, entre eles o dos Estados Unidos, país crucial no BID, pois tem 30% do capital do Banco.

O colombiano também se referiu às críticas de que ele não tem preparação econômica para o posto. Moreno garantiu que, embora não seja economista de formação, tem uma "vasta experiência" como ex-ministro da Colômbia, no setor privado e na diplomacia.

O atual embaixador colombiano na Casa Branca disputava a eleição com o vice-presidente do BID, o brasileiro João Sayad, o ministro da Economia do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, o ex-ministro da Economia venezuelano José Alejandro Rojas e o presidente do Banco Central da Nicarágua, Mario Alonso.

Sua eleição foi muito mais rápida do que previam os analistas políticos, segundo fontes do BID, que não informaram qual foi o nível de apoio alcançado por Moreno.

Fontes diplomáticas explicaram que os candidatos da Nicarágua e da Venezuela se retiraram antes da primeira votação, dividindo os votos que tinham conseguido reunir na América Central e no Caribe.

Moreno conseguiu ganhar com dupla maioria - de países e de capital - que era necessária, segundo informações da reunião. No entanto, o BID não divulgou dados oficiais sobre os números definitivos.

No que se refere à maioria de países, o embaixador colombiano pode ter conseguido o apoio de 20 dos 28 países das Américas (os 26 mutuários mais os EUA e o Canadá).

Quanto ao poder de voto ou de participações, ele pode ter conseguido 50,6% do capital.

Seja qual for o resultado, o diplomata e ex-ministro de Desenvolvimento Econômico colombiano Luis Alberto Moreno foi o eleito para se tornar o quarto presidente do BID.

Os titulares anteriores foram o chileno Felipe Herrera (1960-1971), o mexicano Antonio Ortiz Mena (1971-1987) e Enrique Iglesias, do Uruguai, que exerceu o cargo desde 1988 e teve o mandato renovado três vezes.

O Banco, criado em 1959 para estimular o desenvolvimento econômico e social da região, se transformou na maior e mais antiga organização de desenvolvimento regional e na principal fonte de financiamento multilateral da América Latina e do Caribe.

Moreno já disse que chega à presidência com muitos desafios pela frente relacionados com "temas sociais, a pobreza, metas do milênio, setor privado e infra-estrutura crítica".

Ele também deixou claro que é muito consciente de que será o sucessor de Enrique Iglesias, o homem que, segundo Moreno, "deu ao BID o tamanho e a relevância que tem".

Embora não tivesse obrigação de acordo com os regulamentos do Banco, o próprio Iglesias participou da reunião extraordinária de hoje.

Os Governadores - ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais que representam os 47 países-membros do BID - prestaram uma homenagem a Iglesias antes que ele deixe a instituição.

Iglesias agora será o primeiro titular da nova Secretaria-Geral Ibero-Americana (Segib), um organismo com sede em Madri, vinculado às Cúpulas anuais de chefes de estado e de Governo da América Latina, Espanha e Portugal.