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08/11/2005 - 18h57

Dólar fica abaixo de R$ 2,20 pela 1ª vez desde 2001; Bolsa sobe só 0,06%

Da Redação
Em São Paulo
O dólar recuou pela sétima sessão consecutiva nesta terça-feira e encerrou abaixo de R$ 2,20 pela primeira vez desde abril de 2001, sob influência da notícia de melhora na perspectiva do rating (nota de risco) do país pela Standard & Poor's. A divisa terminou a sessão com recuo de 0,36%, a R$ 2,195, na cotação mínima do dia.

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) quase ficou estabilizada, com uma pequena alta de 0,06%.

O leilão de compra de dólares do Banco Central não foi suficiente para conter o declínio da moeda norte-americana perto do fechamento. Segundo operadores, a autoridade monetária aceitou 13 propostas e estabeleceu a taxa de corte em R$ 2,1965.

O diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel, acredita que a aquisição do Banco Central não foi elevada, o que também pode ter contribuído para a apreciação do real mesmo depois da operação.

"Estão falando algo em torno de uns US$ 50 milhões. O pessoal ficou esperando o BC entrar para tomar um pouco mais e não foi isso que aconteceu."

A agência S&P melhorou a perspectiva do rating do Brasil de "estável" para "positiva". Logo após a notícia, o dólar inverteu o movimento de alta exibido durante boa parte do dia.

De acordo com Flávio Ogoshi, operador da mesa de derivativos do Rabobank, "depois que saiu (a notícia), o mercado andou bem, melhorou bastante, a dívida se fortaleceu mais, o dólar na hora pesou bastante, mesmo com o BC efetuando o leilão".

Para o economista-chefe do Banco Fator, Vladimir Caramaschi, a revisão da perspectiva já era esperada pelo mercado. "Os indicadores vêm melhorando e isso ainda não tinha se refletido na classificação."

Swap invertido

Na primeira etapa dos negócios, o dólar ganhou terreno sobre o real, impulsionado por ajustes de posições após seis quedas consecutivas e pela expectativa de que o Banco Central também volte a realizar os leilões de swap cambial invertido, interrompidos desde março.

"De manhã o mercado estava meio travado porque muita gente está especulando a volta do SCC", comentou Ogoshi, do Rabobank, referindo-se ao swap reverso.

Tradicionalmente às terças-feiras, o BC anuncia após o fechamento do mercado se fará ou não o leilão de swap cambial invertido -no qual o mercado ganha quando a variação do juro é maior que a do câmbio.

Os contratos servem para acelerar a redução da exposição cambial do governo, mas também ajudam a conter a queda acentuada do dólar, que tem sido motivada pelo contínuo ingresso de recursos.

Bovespa

A safra positiva de balanços corporativos avaliados pelo mercado nesta terça-feira acabou prevalecendo sobre a influência negativa dos pregões norte-americanos na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou com ligeira alta, após o sobe-e-desce ao longo do dia. Os negócios locais verificaram ganhos à tarde quando os índices acionários nova-iorquinos apresentaram melhora e a agência de classificação de risco Standard & Poor´s informou a revisão para cima na perspectiva do rating soberano do Brasil. Mas o tom favorável não durou muito com nova deterioração em Wall Street, onde o ritmo de negócios foi enfraquecido pela ausência de indicadores relevantes sobre a economia dos Estados Unidos.

No encerramento, porém, o Ibovespa voltou a recuperar-se e terminou a jornada com modesta alta de 0,06 %, aos 30.970 pontos. Ao longo da sessão, o principal índice da bolsa paulista oscilou da máxima de 31077 pontos (+ 0,40%) à mínima de 30.586 pontos (- 1,18%). O volume financeiro totalizou R$ 1,426 bilhão.

O comportamento negativo em Nova York sustentou o mau-humor na bolsa paulista, "que também não teve motivos de sobra para andar com mais força", avaliou o gerente da mesa de operações de Bovespa da SLW Corretora, Cesar Alberto Lopes, referindo-se à falta de notícias para os negócios hoje, com exceção dos resultados trimestrais das empresas brasileiras. Mesmo com números bons, os balanços acabaram sendo ofuscados pelo clima desfavorável em NY, acrescentou.

Os dois mercados andaram praticamente juntos, em proporções diferentes, mas no mesmo ritmo, observou Lopes, citando o comportamento gráfico da bolsa brasileira e dos índices norte-americanos. Conforme observou o estrategista-chefe da Fator Corretora, Claudio Monteiro, na ausência de notícias boas aquele mercado tende a ficar mais fraco e para baixo. Instantes atrás, em Wall Street, o indicador Dow Jones cedia 0,32%, o Nasdaq declinava 0,24% e o S & P 500 desvalorizava-se 0,30%.

Embora o Ibovespa tenha mostrado recuperação no final das operações, o baixo astral em NY acabou amenizando o efeito dos balanços corporativos brasileiros e minando o comportamento das ações de empresas que mostraram resultados positivos por quase toda a sessão. Entre os números conhecidos hoje está o desempenho da Gerdau no terceiro trimestre, quando registrou lucro líquido consolidado de R$ 811,6 milhões. Embora inferior ao verificado em igual período do ano passado, o resultado da companhia foi avaliado positivamente pelos investidores. Mesmo assim, as ações preferenciais da Gerdau cederam 1,91%, para R$ 31,80.

Por outro lado, as ações PNA da Usiminas lideraram as altas do Ibovespa, após a apresentação de seu balanço nesta sessão. O sistema Usiminas teve lucro líquido de R$ 782 milhões entre julho e setembro, valor 22% inferior ao resultado obtido em igual período do ano passado. Relatório do Banco Brascan classificou os números da empresa como "bons". O papel subiu 4,35%, para R$ 46,60.

A expectativa pela divulgação do desempenho trimestral da Net, amanhã, ajudou motivar a valorização da preferencial da companhia, que fechou com segunda maior alta do índice paulista, de 3,12%, a R$ 0,99.

Apesar da melhora registrada na ocasião do anúncio, a notícia sobre a elevação da perspectiva dos ratings soberanos do Brasil de "estável" para "positiva" pela S & P não foi suficiente para motivar uma valorização mais significativa no mercado acionário brasileiro, mas contou como um fator positivo, pois significa que as notas do país nas dívidas de longo prazo em moeda local e estrangeira podem subir no futuro.

Com informações de Reuters e Valor Online

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