! Gasoduto do Sul desata polêmica por custos e impacto ambiental - 03/03/2006 - AFP - Economia
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03/03/2006 - 16h31
Gasoduto do Sul desata polêmica por custos e impacto ambiental

CARACAS, 3 mar (AFP) - O Grande Gasoduto do Sul, de cerca de 8.000 km, que está sendo promovido por governos de Argentina, Brasil e Venezuela para atender às necessidades de energia do Caribe ao Pampa, vem sendo motivo de muita polêmica por seu elevado custo e seu impacto ambiental.

Ecologistas, pesquisadores e ex-funcionários do setor energético da Venezuela questionam a viabilidade do projeto, devido a problemas de fornecimento, rentabilidade e impacto para o Meio Ambiente.

"Venezuela, Brasil e Argentina devem aprofundar, com suas equipes técnicas, o estudo da viabilidade deste projeto porque, acredito, será muito difícil sustentar seus custos, sua rentabilidade e outros aspectos econômicos", advertiu à AFP Eli Habalian, pesquisador em matéria de petróleo na Universidade de Carabobo e membro do Instituto de Petróleo.

De um lado, analistas internacionais argumentam que um gasoduto de mais de 3.000 km deixa de ser rentável diante da alternativa do gás liquefeito transportado em tanques. Já os defensores dizem que este projeto poderá promover o desenvolvimento das regiões mais pobres, como o sul da Venezuela e o nordeste do Brasil.

"Paralelamente ao fornecimento de energia, o projeto terá o aspecto social como pilar importante, pois contribuirá de maneira determinante para o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida das comunidades por onde passar", defende a chancelaria da Venezuela.

O orçamento do gasoduto está estimado em 20 bilhões de dólares, com expectativa de geração de mais de um milhão de empregos na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Venezuela, segundo fontes oficiais venezuelanas.

O gasoduto, promovido de forma conjunta pelos governos de Brasil, Venezuela e Argentina, pretende abastecer com 2,15 bilhões de pés cúbicos de gás sete países da região.

Os ministros de Energia de Brasil e Venezuela, Silas Cavalcante e Rafael Ramírez, e Julio De Vido, ministro argentino do Planejamento, realizaram ontem (quinta-feira) discussões técnicas, a portas fechadas, sobre a construção do gasoduto.

Em seis grupos de trabalho compostos por delegações dos três países, eles discutiram financiamento, recursos, comercialização, tarifas, pagamento de impostos, entre outros assuntos relacionados ao projeto.

O resultado do encontro será comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a seus colegas Hugo Chávez e Néstor Kirchner, de Venezuela e Argentina, respectivamente, que devem lançar o projeto em julho, possivelmente na cidade venezuelana de Puerto Ordaz, 550 km a sudeste de Caracas.

O gasoduto descerá do Caribe para as cidades venezuelanas de Puerto Ordaz e Santa Elena de Uairén (limítrofe com o Brasil), a brasileira Manaus, onde se dividirá em dois braços, um para o nordeste brasileiro e outro para Brasília e Rio de Janeiro, de onde seguirá para o Uruguai e Argentina.

Para o pesquisador Habalian, não é certo que a Venezuela tenha capacidade para cobrir a demanda por gás prevista no projeto, nem os altos custos da extração do gás venezuelano, o que tornaria o gás muito mais caro do que o da Bolívia, o grande exportador de gás da América do Sul

Segundo estimativa do ministro Rafael Ramírez, o gás do Gasoduto do Sul deve sair por mais de cinco dólares por milhão de BT. Na Bolívia, o produto custa cerca de 3 dólares.

Além disso, várias organizações de defesa da natureza lançaram alertas sobre o impacto do projeto para o Meio Ambiente, assim como as conseqüências para as comunidades indígenas.

Para Alexander Luzardo, o gasoduto significa um "ecocídio" na Amazônia venezuelana, ao sul do país, pos "implica em criar um buraco para instalar os tubos em uma zona de mata virgem tropical, considerada patrimônio da humanidade".

O gasoduto deve ser administrado por uma empresa formada pela estatal argentina Enarsa, a brasileira Petrobras e a venezuelana PDVSA.