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30/03/2006 - 19h09
Prioridade da Femsa no Brasil é estabilizar market share

Por Cesar Bianconi

SÃO PAULO/MONTERREY (Reuters) - O primeiro desafio da Femsa no Brasil é estabilizar a participação de mercado da Kaiser, para então investir no portfólio de produtos, afirmou nesta quinta-feira o vice-presidente financeiro da empresa mexicana, Javier Astaburuaga, durante o "Reuters Latin America Investment Summit".

"O objetivo é estabilizar a participação de mercado de uma companhia que vem perdendo 1,5 ponto (percentual) por ano", disse o executivo a jornalistas da Reuters, em Monterrey.

De acordo com dados da empresa de pesquisa AC Nielsen obtidos pela Reuters, as Cervejarias Kaiser encerraram fevereiro com 8,5 por cento de participação no mercado brasileiro de cerveja, queda de 0,5 ponto percentual contra janeiro.

A líder AmBev ficou com 68,4 por cento de market share no mês passado e a Schincariol teve 12,7 por cento.

Sem fornecer valores, o executivo da Femsa disse que inicialmente serão feitos investimentos para "corrigir ou reforçar" os negócios da Kaiser.

"Seguramente, no tempo, haverá investimentos mais importantes dirigidos ao portfólio de marcas. Mas em 2006 não necessariamente será um ano em que esperamos dedicar muitos recursos a isso", comentou.

Na parte de infra-estrutura, o executivo ressaltou que não há necessidade de aporte de dinheiro, "porque as fábricas estão com nível de utilização de capacidade muito baixo", ao redor de 50 por cento.

A Kaiser tem fábricas em Jacareí (SP), Araraquara (SP) Gravataí (RS), Cuiabá (MT), Pacatuba (CE), Manaus (AM), Ponta Grossa (PR) e Feira de Santana (BA). A capacidade total de produção é de 20 milhões de hectolitros.

A Fomento Econômico Mexicano (Femsa) anunciou em meados de janeiro a compra de 68 por cento do capital das Cervejarias Kaiser por 68 milhões de dólares, por meio de sua subsidiária Femsa Cerveza. A Kaiser era controlada pela Molson Coors, que manteve 15 por cento de participação, enquanto os 17 por cento restantes continuaram nas mãos da Heineken.

PORTFÓLIO

O executivo da Femsa afirmou que considera o portfólio da Kaiser reduzido e que vê oportunidades nesse campo.

"(A estratégia) é uma combinação de aproveitar as marcas que atualmente a Kaiser tem (...) e trabalhar marcas importadas ou produzidas localmente com concepção de importadas. E um terceiro capítulo que tem a ver com marcas novas", afirmou.

A cerveja Sol, forte marca do grupo mexicano, já era produzida no Brasil pela Kaiser e isso continuará a ser feito, segundo Sanjines. Outras cervejas da Femsa vendidas no Brasil --Dos Equis e Tecate-- são produzidas no México e exportadas para cá.

O executivo descartou, por ora, levar a marca Kaiser para outros países da América Latina. "Numa primeira fase estamos completamente focados no mercado brasileiro."

A Kaiser chegou a ter mais de 15 por cento de participação de mercado em 2002. Naquele ano, a canadense Molson --que se fundiu com a norte-americana Coors no ano passado-- pagou 765 milhões de dólares pelo controle da cervejaria brasileira.

Desde então a Kaiser perdeu participação de mercado e a posição de segunda maior do setor no país, posto ocupado pelo grupo Schincariol.

(Reportagem adicional de Chris Aspin e Gabriela Lopez, em Monterrey)