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20/09/2006 - 15h36

EUA mantêm juros em 5,25%; decisão beneficia países como o Brasil

Da Redação
Em São Paulo
Pelo segundo mês seguido, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) deixou inalterada a taxa de juro do país em 5,25% ao ano. A decisão, anunciada na tarde desta quarta-feira, já era aguardada pela maioria dos agentes financeiros, e beneficia países emergentes como o Brasil.

Quando a taxa de juros americana sobe, os investidores estrangeiros se sentem atraídos e levam seu dinheiro para lá. Se a taxa cai ou fica na mesma, os investimentos tendem a se dirigir aos países em desenvolvimento, que pagam uma remuneração melhor pelo dinheiro aplicado.

Em agosto, o banco central norte-americano interrompeu um ciclo de 17 aumentos consecutivos na taxa de juros, o mais longo na história do Fed, determinando que o juro primário se mantivesse em 5,25% ao ano.

Em agosto, o Fed havia demonstrado preocupação com a inflação no país, o que poderia levar a a um aumento nos juros. Mas a manutenção do percentual agora em setembro pode ter sido influenciada pelos resultados recentes.

Segundo dados divulgados nessa terça-feira, o PPI (índice de preços ao produtor, na sigla em inglês) teve queda de 0,4% em seu núcleo (que exclui preços de alimentos e energia) em agosto, com alta de apenas 0,1% no índice geral.

Ao final da sessão, o Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc) indicou em seu comunicado que continua vigilante diante dos riscos de pressões inflacionárias, e que aplicará os ajustes que achar necessários para controlar os aumentos de preços sem asfixiar o crescimento econômico.

O documento repete que a decisão sobre qualquer aperto adicional na política monetária depende da análise de novos dados sobre a atividade econômica.

Dessa forma, o Fed mantém em aberto os próximos passos da política de juros americana.

No entanto, o comunicado distribuído pelo Fomc traz dois pontos que alimentam a interpretação de que o juro básico pode se manter estável por mais tempo. A nota reitera que a "moderação no crescimento econômico parece continuar", em parte por causa do esfriamento do mercado imobiliário.

Além disso, reafirma que as pressões inflacionárias devem diminuir com o tempo -refletindo o "menor ímpeto dos preços de energia" . Esse é o novo fator mencionado pelo Fed, ao lado de outros já citados na reunião de agosto (expectativas de inflação contidas e efeitos acumulados da alta de juros sobre a demanda agregada).

Assim, o Fed desenha um cenário de atividade econômica menos aquecida e de menor pressão inflacionária, agora beneficiada pelo recente recuo dos preços do petróleo.

No mais, o comunicado ficou bem parecido com o da reunião de 8 de agosto. Novamente, o Fomc afirmou que "a extensão e o timing de qualquer aperto adicional (na política monetária) que possa ser necessário para combater os riscos "remanescentes de inflação vai depender da "evolução do panorama tanto da inflação quanto do crescimento econômico", conforme chegam novos dados de atividade.

Novamente, a decisão sobre os juros não foi unânime. Assim como na reunião de agosto, o diretor Jeffrey Lacker, presidente do Fed de Richmond, votou por elevar o juro em 0,25 ponto, mas os demais nove membros -inclusive o presidente do Fed, Ben Bernanke- optaram pela manutenção.

(Com informações de EFE, Reuters e Valor Online)

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