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28/03/2007 - 10h14

Mudança de método faz alta do PIB de 2006 subir de 2,9% para 3,7%

Da Redação
Em São Paulo
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,7% em 2006 e somou R$ 2,322 trilhões depois das mudanças feitas pelo IBGE na metodologia de cálculo das riquezas nacionais. Na série antiga, a expansão da economia brasileira no ano passado havia sido de 2,9%. A mudança não altera a posição do Brasil no ranking das maiores economias do mundo, e o país continua no 10º lugar.

Muitos economistas estavam esperando um incremento em torno de 3,5% e o resultado também superou as expectativas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que estimava uma variação entre 3,3% e 3,5%.

O PIB é a soma de todas as riquezas produzidas num país e revela a força de sua economia.







Na semana passada, o IBGE já havia apresentado a nova metodologia e a revisão do crescimento econômico de 2000 a 2005. O PIB de 2005, por exemplo, também aumentou pelas novas contas, indo de 2,3% para 2,9%.

Somente no último trimestre do ano passado, o PIB aumentou 4,8% em comparação com os mesmos três meses de 2005. A previsão antiga dava conta de aumento de 3,8%.

Entre julho e setembro, houve expansão de 4,5% frente aos 3,2% de antes da revisão. No segundo trimestre, o PIB subiu 1,5% (1,2% na série antiga). No primeiro trimestre, a expansão da economia brasileira foi de 4,1%, acima dos 3,3% calculados pela metodologia anterior.

Assim como com qualquer outro indicador econômico, cada país possui uma metodologia própria de cálculo de seu PIB. Os institutos de pesquisa desses países, responsáveis por estes cálculos, têm à disposição normas internacionais para orientar seus levantamentos. Contudo, não há nenhuma obrigatoriedade de adotar esses padrões, o que traz distorções às comparações.
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As modificações no cálculo do PIB afetam especialmente o setor de serviços, como administração pública, serviços financeiros, serviços de informação e aluguéis.

O novo método trabalha com mais fontes de informação e leva em consideração 110 produtos (antes eram 80) e 56 atividades econômicas (contra 43 da metodologia passada). Segundo o IBGE, isso permite fazer um cálculo mais preciso.

O novo método para contabilizar o desempenho da economia brasileira passou ainda a utilizar como fontes de dados as pesquisas anuais setoriais da Indústria, Comércio e Construção Civil do IBGE e as receitas declaradas das empresas à Receita Federal.

As mudanças de metodologia tiveram como base o ano 2000, mas o IBGE refez a série do PIB de 1995 a 1999 a partir dessa base e incorporou as alterações.

PIB per capita
O PIB per capita (dividido pelos habitantes do país) cresceu 2,3% no ano passado e ficou em R$ 12.437, para uma população calculada em 186,7 milhões de habitantes.

O crescimento econômico de 2006 foi impulsionado principalmente pelo setor agropecuário, cuja produção aumentou 4,1%, embora também apresentaram desempenhos expressivos o setor de serviços (3,7%) e a indústria (2,8%).

A agropecuária se recuperou em 2006 após um fraco desempenho em 2005 (1%), provocado pela queda da colheita de alguns produtos e pelos efeitos causados após a confirmação de um foco de febre aftosa.

Entre os subsetores da indústria, o de melhor desempenho foi o da extração mineral, que registrou crescimento de 6%, devido ao aumento da extração de petróleo e gás (5,1%) e de minério de ferro (10,9%).

Também houve destaque para a construção civil, com crescimento de 4,6%.

No setor de serviços, destacou-se o crescimento dos subsetores de intermediação financeira (6,1%), de comércio (4,8%) e de transporte, armazenagem e correios (3,2%).

Outro destaque na alta do PIB, segundo o IBGE, foi o consumo das famílias, que subiu 4,3%, graças à expansão da renda real dos trabalhadores (5,6%).

Também tiveram peso importante o aumento de 4,6% nas exportações de bens e serviços, e a alta de 18,1% nas importações.

O que é o PIB
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país durante certo período. Isso inclui do pãozinho até o apartamento de luxo.

O índice só considera os bens e serviços finais, de modo a não calcular a mesma coisa duas vezes. A matéria-prima usada na fabricação não é considerada. No caso de um pão, a farinha de trigo usada não entra na conta.

Um carro de 2002 não é computado no PIB de 2006, pois o valor do bem já foi incluído no cálculo daquele outro ano.

O primeiro fator que influencia diretamente a variação do PIB é o consumo da população. Quanto mais as pessoas gastam, mais o PIB cresce. Se o consumo é menor, o PIB cai.

O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros nas prestações, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salário baixo e juro alto, o gasto pessoal cai e o PIB também. Por isso os juros atrapalham o crescimento do país.

Os investimentos das empresas também influenciam no PIB. Se as empresas crescem, compram máquinas, expandem atividades, contratam trabalhadores, elas movimentam a economia. Os juros altos também atrapalham aqui: os empresários não gastam tanto se tiverem de pagar muito pelos empréstimos para investir.

Os gastos do governo são outro fator que impulsiona o PIB. Quando faz obras, como a construção de uma estrada, são contratados operários e é gasto material de construção, o que ele eleva a produção geral da economia.

As exportações também fazem o PIB crescer, pois mais dinheiro entra no país e é gasto em investimentos e consumo.

(Com informações de EFE, InfoMoney e Valor Online)
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