UOL EconomiaUOL Economia
UOL BUSCA

09/04/2007 - 18h26

Otimismo faz risco bater em 154 pontos, Bolsa ter novo recorde e dólar recuar a R$ 2,025

Da Redação
Em São Paulo
Um cenário positivo no mercado, influenciado por reflexos vindos do cenário global, fez hoje os indicadores brasileiros registrarem marcas históricas. O risco Brasil atingiu o menor nível histórico durante o dia, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em seu maior patamar em pontos, e o dólar se aproximou dos R$ 2.

O risco Brasil, medido pelo Banco JP Morgan Chase e que mede o interesse do investidor estrangeiro em aplicar recursos em títulos do país, chegou a atingir os 154 pontos, menor nível histórico. Ao final desta tarde, estava nos 155 pontos, uma queda de 5,5%. Vale citar que o piso histórico do risco-país para o fechamento é aos 164 pontos, repetido na
última quinta-feira.

A melhora da percepção de risco em relação ao Brasil significa custo mais baixo de captação de recursos para as empresas locais e probabilidade maior de o País receber o tão almejado grau de investimento.

A Bolsa paulista registrou hoje seu terceiro recorde de fechamento em pontos consecutivo. O Ibovespa, principal índice do mercado local, fechou em alta de 0,45%, aos 46.855 pontos, após os 46.646 pontos da última quinta-feira.

Na máxima do dia, o índice bateu seu recorde intradia (registrado ao longo do pregão), pela primeira vez acima dos 47 mil pontos. A maior valorização hoje foi de 1,27%, para 47.239 pontos. O volume negociado totalizou R$ 3,12 bilhões.

Já o dólar comercial manteve a tendência de queda nesta segunda-feira após o feriado da Sexta-feira Santa e se aproximou do patamar dos R$ 2. A moeda norte-americana fechou em baixa de 0,34%, vendida a R$ 2,025, menor valor desde 5 de março de 2001, quando atingiu R$ 2,023. A divisa caiu em todos os dias de abril até o momento, e acumula recuo de 1,75% no mês.

Impulso
O impulso positivo de hoje para todos esses indicadores foi dado pelo relatório de emprego norte-americano (payroll), divulgado na sexta-feira. O payroll mostrou que foram criados em março nos Estados Unidos mais postos de trabalho do que o esperado por economistas (180 mil, ante previsão de 142 mil). Outro fator para o desempenho do mercado acionário foi a valorização das commodities metálicas.

O relatório de emprego favorável nos EUA aliviou a preocupação dos investidores com a atividade naquele país, ao mesmo tempo em que fez crescer a percepção de manutenção da taxa de juro norte-americana em 5,25% ao ano por um período mais prolongado.

O ranking de maiores ganhos dentre as ações que compõem o Ibovespa foi liderado hoje por Brasil Telecom PN, com alta de 6,31%. O papel reagiu à notícia divulgada na coluna Radar, da revista Veja, de que o governo deu sinal verde para a fusão entre a empresa e a Telemar. Telemar ON subiu 6,26%. A notícia não foi confirmada por fontes oficiais.

O fraco desempenho das Bolsas de valores nos Estados Unidos, contudo, impediu que a Bovespa se mantivesse nos níveis máximos do dia. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 0,07%. O Nasdaq, da Bolsa eletrônica, cedeu 0,09%.

Outro fator negativo para o Ibovespa foi a forte queda do petróleo, que prejudicou as ações da Petrobras, as maior peso no índice. O petróleo caiu 4,31% em Nova York e Petrobras PN fechou em baixa de 0,30%.

Câmbio
"Saiu o número de emprego nos EUA na sexta-feira, as Bolsas puxaram bem, e o dólar já abriu em queda", disse Rafael Savoia Simão, gerente de câmbio da corretora Global Hedging.

Ele aponta ainda para o risco Brasil e sua nova mínima histórica. "O Mantega já falou que quer que chegue a 100 (pontos-básicos). (Com) todos os fatores que indicariam uma queda do dólar, agora é ladeira abaixo", disse.

Há uma semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o risco-país caminha para o nível de 100 a 110 pontos-básicos "em breve". O índice avalia a percepção de risco dos estrangeiros em investir no país, hoje atraídos pela taxa de juros acima da média internacional.

Para Simão, o atual otimismo no mercado doméstico pode até forçar um ajuste. "Se mantiver esse panorama, acho que pode vir uma correção, está puxando muito rápido as Bolsas aqui". Mas o mercado, acrescentou, "está cada vez mais acreditando em dólar a R$ 2".

(Com informações de Reuters, Valor Online e Agência Estado)
Mais
Leia outras notícias em UOL Economia

Shopping UOL