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01/08/2007 - 15h19

Em lance bilionário, dono da Fox compra Dow Jones e "Wall Street Journal"

Da Redação
Em São Paulo
Um negócio bilionário confirmado nesta quarta-feira mudará o cenário da mídia norte-americana.

Um dos mais prestigiados jornais do setor financeiro, "The Wall Street Journal" (WSJ), passará a ser controlado pelo empresário Rupert Murdoch, que já possui mais de cem publicações impressas no mundo, além da rede de TV Fox, dos estúdios de cinema 20th Century Fox e do site de relacionamento MySpace, entre outros ativos na área de comunicações.

Murdoch comprou todo o grupo Dow Jones, que, além do WSJ, inclui outros veículos de comunicação na área de finanças.

Há divergências sobre o valor do negócio. Fontes diferentes falam de US$ 5 bilhões a US$ 5,6 bilhões. Reportagem do próprio "Wall Street Journal"
cita US$ 5 bilhões, mas nota divulgada pela Dow Jones registra US$ 5,6 bilhões.

Segundo os termos do acordo, que foi aprovado pelos conselhos de administração de ambas as empresas, os acionistas da Dow Jones receberão US$ 60 em dinheiro por cada ação ordinária ou classe B que possuam, informaram as companhias.

A Dow Jones divulgou recentemente que tinha cerca de 85,4 milhões de ações em circulação, o que deixa o total da operação em US$ 5,1 bilhões. A companhia encerrou o segundo trimestre com dívida de US$ 392 milhões, o que daria cerca de US$ 5,5 bilhões no total.

Os grupos não informaram detalhes sobre como calcularam o valor total do negócio para chegar a US$ 5,6 bilhões.

O sucesso comercial e a influência política são duas características marcantes da News Corp, o império das comunicações controlado pelo australiano Rupert Murdoch. Como os filmes "Guerra nas Estrelas" e "Titanic", também têm o dedo desse empresário o jornal "The Times", referência mundial, e o canal a cabo Fox News, que durante a guerra no Iraque teve audiência maior do que a CNN e nunca escondeu seu apoio à administração George W. Bush
O IMPÉRIO DE MURDOCH
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O negócio dará força para um outro empreendimento de Murdoch, o novo canal de televisão a cabo sobre economia, o Fox Business Network, com lançamento previsto para 15 de outubro.

O organismo que regula a concorrência nos Estados Unidos ainda precisa aprovar a operação. No entanto, Murdoch já afirmou que não acredita que este ponto representará um problema. O WSJ destacou que o acordo estará totalmente concluído antes do fim de 2007.

Tradição de 105 anos
A operação colocará fim a uma tradição de 105 anos, uma vez que uma mesma família, os Bancroft, controla o grupo Dow Jones desde 1902 e é conhecida por não interferir no conteúdo noticioso. O negócio dividiu os 33 membros da família e gerou polêmica no meio jornalístico.

O Iape -sindicato que reúne a maior parte dos repórteres do Dow Jones e alguns jornalistas do Wall Street Journal- foi radicalmente contrário ao acordo, por temer o uso do jornal para defender interesses comerciais de Murdoch.

"É triste ver o fim da tradição de 105 anos de uma família na proteção da independência da Dow Jones como um bem público", afirmou o ex-membro do conselho da Dow Jones Jim Ottaway Jr, cuja família controla 7% das ações votantes da empresa.

A agência de notícias britânica Reuters afirmou na última sexta-feira (dia 27) que a sua fusão com o grupo canadense Thomson pode ser concluída no final de 2007 ou início de 2008. O negócio foi acertado em maio, quando a empresa do Reino Unido aceitou a proposta de 8,7 bilhões de libras (US$ 17,3 bilhões, ou R$ 34,65 bilhões) da canadense. Juntas, elas formarão a maior companhia do mundo no setor de informações financeiras, à frente da norte-americana Bloomberg
MÍDIA EM FUSÃO
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Proposta irrecusável
A oferta da News Corp pela Dow Jones foi generosa e atraiu alguns membros da família Bancroft que eram contrários à venda. Eles representam 9,1% dos direitos de voto e fizeram a diferença que faltava para fechar o negócio.

A proposta foi de US$ 60 por ação, valor 65% maior que a cotação do grupo na Bolsa (US$ 36,33) antes de 1º de maio. Os Bancroft possuem 64% dos votos da empresa. Os membros da família que, no final, manifestaram-se favoráveis ao negócio somam 37%, superando a fatia de 27% dos que são contra ou se abstiveram.

Linha editorial
Além da oferta em dinheiro, um acordo sobre a linha editorial das publicações do grupo Dow Jones contribuiu para convencer os Bancroft a aceitarem o negócio. Será criada uma comissão, composta por cinco membros, que vai supervisionar a independência editorial das operações de notícias da Dow Jones.

A comissão incluirá o presidente-executivo aposentado da Associated Press Louis Boccardi, o co-fundador do laboratório de mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts Nicholas Negroponte, o ex-presidente editorial do Tribune Jack Fuller, a ex-congressista do Estado de Washington Jennifer Dunn e o ex-editor da seção editorial do Detroit News Thomas Bray.

(Com informações de France Presse, Reuters e Valor Online)

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