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14/09/2007 - 10h00

Salário médio no Brasil em 2006 é menor do que há dez anos, diz IBGE

Da Redação
Em São Paulo
O trabalhador brasileiro ganhou em 2006, em média, menos do que dez anos atrás. O rendimento médio mensal com trabalho em 2006 foi de R$ 883, o que representa 9,4% menos que os R$ 975 ganhos em 1996.

Os dados, atualizados pela inflação do INPC, fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).







O salário dos trabalhadores sofreu perdas todos os anos entre 1996 e 2003, quando atingiu o menor valor —R$ 792 (veja gráfico).

Em 2005, houve recuperação, e o salário chegou a R$ 824. No ano passado, subiu 7,2% em relação a 2005 e atingiu os R$ 883.

Esse valor é o mais alto desde 1999, quando o salário médio foi de R$ 888. Apesar da subida, a recuperação não foi suficiente para superar os níveis de dez anos atrás.

Segundo o IBGE, em média, as pessoas com os menores salários recuperaram o poder de compra de 1996. Isso ocorreu, entre outros fatores, por causa dos aumentos reais do valor do salário mínimo. Em 2006, a média desses salários mais baixos foi de R$ 293,00, enquanto em 1996 era de R$ 267,00.

"O aumento real do salário mínimo nos últimos anos está impactando o rendimento do trabalhador, principalmente a renda das classes mais baixas", afirmou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

A economista destacou que também contribuíram a expansão do emprego do trabalhador com carteira assinada (de 33,1% da população ocupada para 33,8%) e a redução da informalidade (de 51,8 % do total em 2005 para 50,4% em 2006).

De acordo com a pesquisa, os 50% mais pobres tiveram um ganho de rendimento superior aos 50% mais ricos. A renda média da metade mais pobre foi de R$ 293 ante R$ 257 em 2006.

Apesar do crescimento no rendimento e do aumento real do salário mínimo entre 2004 e 2006, a concentração de renda no período caiu apenas "suavemente", segundo o IBGE.

O índice de Gini, uma medida da desigualdade, passou de 0,547 em 2004 para 0,544 em 2005 e 0,541 em 2006 (o menor desde 1981). Quanto mais próximo de zero, menor é a concentração de renda de um país.

"O que percebemos é que o Gini continua caindo, só que de forma suave. É um movimento suave de desconcentração", disse Quinstlr. "O aumento real do salário mínimo tem efeito pequeno sobre a concentração de renda no país. O impacto se dá de forma lenta."

Comparação com 2005
Em relação a 2005, os salários médios em 2006 aumentaram mais no nordeste (12,1%) e no norte (7,1%). No sudeste, sul e centro-oeste, foram registrados crescimentos de 6,6%, 5,5% e 4,9%, respectivamente.

No entanto, apesar do maior crescimento percentual, o nordeste teve o menor salário médio absoluto. Os nordestinos tiveram média salarial de R$ 565 em 2006. A região sudeste apresentou o maior valor: R$ 1.027.

De acordo com o IBGE, o aumento real do salário mínimo de 13,3% no ano passado foi um dos fatores determinantes para o crescimento médio do rendimento nacional entre 2005 e 2006.

(Com informações da Reuters)
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