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18/10/2007 - 21h16

Guido Mantega diz que Brasil aposta em Banco do Sul

Washington, 18 out (EFE).- O ministro da Fazenda Guido Mantega disse hoje que o Brasil aposta no Banco do Sul diante das dificuldades para conseguir a redistribuição do voto dentro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e não descarta a possibilidade de criar uma espécie de fundo monetário sul-americano.

"É perfeitamente compatível a criação de instituições mais próximas de nossos interesses, nas quais possamos ter maior influência", afirmou Mantega à imprensa após uma reunião com Rodrigo de Rato, diretor-gerente do FMI.

O ministro brasileiro afirmou que o Banco do Sul será "uma entidade de desenvolvimento para financiar projetos" e não oferecerá empréstimos de emergência para países afetados por problemas de balanças de pagamentos.

Mantega afirmou que para estes objetivos o Brasil continuaria recorrendo ao FMI caso fosse necessário, embora tenha acrescentado que não descarta "a criação de uma nova instituição que possa suprir o problema dos desequilíbrios monetários e financeiros dos países".

O Banco do Sul conta com sete membros: Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela. A Colômbia pediu na última semana para aderir à instituição.

Mantega citou o conflito em torno da reforma do FMI como uma das razões que faz com que o Brasil aposte no Banco do Sul.

"Estamos em uma grande luta para aumentar a participação acionária do Brasil de modo que o Brasil tenha um peso político maior, para passar de 1,4% (em voto) para 2 ou 2,1%", disse.

"Nossas possibilidades de ter um peso político maior nestas instituições é remota", acrescentou.

Nesta semana, o presidente Lula pediu que as nações em desenvolvimento encontrem novas instituições que substituam o Banco Mundial (BM) e o FMI.

"Não há lugar para os países em desenvolvimento" nestas entidades, disse Lula durante sua visita à África.

Rato foi perguntado sobre estes comentários em entrevista coletiva que ofereceu hoje, antes da Assembléia Anual do FMI e do BM, que acontecerá entre os próximos sábado e segunda, e afirmou: "Não respondo às declarações de outras pessoas".

Mesmo assim, ele destacou que houve progresso nas negociações para a redistribuição de votos nos órgãos de Governo do Fundo e que o Brasil foi um dos participantes mais ativos nestas negociações.

"Acho que os movimentos para dar mais voto às economias emergentes, em geral, claramente respondem e abordam este tipo de opinião e preocupação", declarou Rato.

Em sua conversa com jornalistas, Mantega também falou da decisão tomada na última quarta pelo Banco Central de manter as taxas de juros inalteradas em 11,25%.

"Do ponto de vista macroeconômico esta interrupção da queda (das taxas) não tem repercussão prática alguma. A economia não vai parar de crescer", declarou o ministro.

Mantega disse que a demanda agregada continua em alta e dela depende principalmente o volume de crédito, que marca um crescimento "entre 24% e 25%" ao ano.

"Acho que há espaço para a queda de juros, acredito que nos próximos anos teremos novas reduções", declarou.

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