! Prêmio Nobel de Economia ataca fundamentalistas do mercado - 21/09/2006 - EFE - Economia
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21/09/2006 - 10h23
Prêmio Nobel de Economia ataca fundamentalistas do mercado

Joaquín Rábago Londres, 21 set (EFE).- O prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial Joseph Stiglitz ataca os fundamentalistas do mercado em seu novo livro, intitulado "Making Globalization Work" ("Fazendo a globalização funcionar").

Aprofundando o caminho empreendido em sua obra anterior - "Globalização e seus Descontentes" -, Stiglitz critica desta vez os que continuam acreditando cegamente na metáfora aparentemente inocente, mas de graves conseqüências, da "mão invisível do mercado".

Na opinião do autor, o capitalismo e as finanças no estilo americano finalmente caíram do pedestal no qual "ficaram por muito tempo".

Ele censura os que até hoje argumentam que se a política de liberalização não produziu os resultados prometidos em muitos países em desenvolvimento foi por causa da corrupção ou da própria timidez das reformas realizadas.

O chamado "consenso de Washington", panacéia dos fundamentalistas do mercado, trouxe como conseqüência "mais instabilidade em vez de maior crescimento" em diversos países, indica o ex-assessor econômico do presidente Bill Clinton.

A globalização liberou as forças do mercado que os Governos não conseguiram controlar, e estes têm seu poder soberano de tomar decisões cada vez mais limitadas por causa dos acordos internacionais assinados.

Stiglitz explica que o Estado-nação foi enfraquecido pelas próprias forças da economia global e pelas demandas autônomas, e que faltam instituições democráticas globais capazes de solucionar os problemas criados pela globalização.

Sem as correções oportunas, esta levará a desigualdades crescentes e a um aumento do desemprego nos países industrializados avançados, diz Stiglitz, que refuta a tese do jornalista americano Thomas Friedman de que o mundo é cada vez mais "plano" graças à globalização.

O livro, escrito com clareza didática, estuda, entre outros elementos, o comércio mundial, e critica as conseqüências de certos acordos, como o da Área de Livre-Comércio da América do Norte.

Stiglitz diz que este último não só não gerou o prometido crescimento econômico ao sul dos EUA, como, "de certa maneira, contribuiu para a pobreza do México".

"Um acordo mais justo teria eliminado os subsídios agrícolas americanos e as restrições às importações de produtos agrícolas como o açúcar nos Estados Unidos", escreve Stiglitz, que lembra que o acordo também priva o México do direito de impor tarifas aos EUA para combater os subsídios.

Ao abordar outro tema de grande preocupação para o mundo em desenvolvimento, a dívida, Stiglitz se fixa na crise argentina e critica o Fundo Monetário Internacional por ter se concentrado apenas no controle do déficit durante o "boom" econômico, sem prever as conseqüências que uma súbita crise financeira - como a que explodiu no Leste da Ásia e que se estendeu por outras regiões - poderia ter.

Stiglitz repreende o FMI por ter incitado a Argentina a privatizar a Previdência Social, o que resultou em uma redução da receita do Estado, e por ter insistido não só na privatização da água ou do setor elétrico, mas também no ajuste das tarifas desses serviços básicos às que vigoram nos EUA.

A Argentina conseguiu se recuperar depois, "apesar de, ou mais exatamente, justamente por não ter um programa do FMI", embora o fato de não ter reestruturado sua dívida rapidamente "tenha dificultado a recuperação necessária", explica Stiglitz.

De qualquer forma, acrescenta, "a bem-sucedida recuperação" desse país sem a ajuda do FMI deixa dúvidas no ar, como a de que talvez o Brasil teria se saído melhor caso tivesse declarado moratória em vez de seguir a política de austeridade orçamentária que gerou um crescimento tão baixo no primeiro mandato do presidente Lula.