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15/12/2006 - 16h32

Aposentadoria x déficit da previdência x vida longa: a ordem é planejar!

SÃO PAULO - Em tempos de discussão sobre o salário mínimo, que impacta diretamente nas contas da Previdência, sobretudo nos cálculos de contribuições previdenciárias e benefícios pagos pelo INSS, o IBGE voltou a anunciar um aumento na expectativa de vida do brasileiro.

Segundo os dados do instituto, divulgados na quinta-feira (14) no estudo "Indicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2003", a expectativa de vida, que era de quase 67 anos em 91, chegou a 72 anos em 2005 e deve ultrapassar os 78 em 2030.

Além disso, com relação à fecundidade, o estudo revela que o número médio de filhos por mulher tenderá a não garantir a reposição das gerações, principalmente nas regiões Nordeste e Sul.

Impacto na Previdência Principalmente pela diferença entre nascimentos e óbitos, e o conseqüente envelhecimento da população, o Déficit da Previdência volta à tona.

O que acontece é que, ao longo dos anos, a relação entre trabalhadores ativos x inativos tem diminuído: em 1950, existiam oito contribuintes ativos para um aposentado. Em 1990, este número caiu para a metade, na proporção 2,5 para um. Atualmente, após nova redução, vivencia-se um "empate": cada trabalhador ativo remunera um aposentado. Daí o problema.

Para diminuir o déficit, o caminho seria aumentar a receita. Porém, se o número de trabalhadores ativos não cresce, seria necessário elevar a contribuição de cada um, o que é completamente inviável (hoje o valor destinado ao INSS compromete uma porcentagem bastante significativa dos salários).

Em contrapartida, o caminho seria então reduzir as despesas: outro dilema, considerando-se o número crescente de aposentados! Planejamento futuro Enquanto o governo não encontra uma solução ao problema do déficit, cabe ao trabalhador, por conta própria, tentar garantir um futuro financeiro mais tranqüilo, já que depois da aposentadoria, ainda restarão bons anos pela frente, e o melhor é estar preparado.

A procura por planos de previdência privada vem crescendo cada vez mais e começando cada vez mais cedo. De acordo com os últimos dados da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp), o destaque atual é o crescimento da captação dos planos para menores de idade, que aumentou 137,82% entre outubro de 2005 e outubro deste ano.

"Os resultados comprovam que a previdência se converteu em instrumento de acumulação para apoio aos filhos", analisa Osvaldo do Nascimento, presidente da Anapp.

Por esses dados, é possível concluir que a população em geral está preocupada com o futuro. Como o IBGE revelou, a tendência é que a expectativa ao nascer aumente gradativamente, ano a ano, o que faz com pais, hoje, além de garantir o próprio sustento, tenham de se preocupar também com o futuro financeiro dos filhos, geração que, se mantida a tendência, sofrerá ainda mais com o déficit previdenciário.

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