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01/08/2007 - 16h10

Depois da trégua, subprime deve continuar assombrando mercados globais

SÃO PAULO - Bem que o mercado gostou do começo da semana, quando o vermelho deu uma folga e permitiu que a renda variável experimentasse alguma recuperação. Porém, o principal vilão da atualidade ainda não foi embora e, diante das "nenhum pouco boas novas" ligadas ao subprime, não surpreendeu a retomada da cautela nas Bolsas mundiais.

Pudera, depois de American Home Motgage ter soltado um comunicado associando suas dificuldades de liquidez às hipotecas do segmento subprime e, mais ainda, informando que não tem como pagar seus credores, foi a vez do Bear Stearns anunciar que mais um de seus Hedge Funds, mais precisamente, o terceiro deles, está com problemas e suspenderá seus resgates.

Sabe ou não sabe? O que não mudou, ao menos por enquanto, é o fato de que não se sabe muito sobre até que ponto a crise no mercado imobiliário pode se estender aos mercados financeiros e a outros setores da economia norte-americana, tanto que William Poole, presidente do Federal Reserve de St. Louis, admitiu não conhecer ao certo o tamanho da crise.

Por outro lado, nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse em Pequim que o impacto do mercado de financiamento imobiliário de alto risco está amplamente contido e que a economia global está forte como há anos não estava.

Também em um tom mais positivo veio o NAR's Pending Home Sales Index (PHSI), segundo o qual o número de contratos de compra e venda de casas usadas nos EUA aumentou 5% em junho, resultado que superou as expectativas do mercado, que esperava queda de 0,6%, depois de uma recuo de 3,5% em maio.

À flor da pele Mas, a despeito das opiniões mais otimistas, a cautela segue presente e a volatilidade tem tudo para continuar como a dona da bola. Em todo caso, o final da semana reserva um indicador que pode (ou não) conter os ânimos dos investidores, o Relatório do Emprego norte-americano.

Para se ter uma idéia do peso destes números, análise da Moody's divulgada esta semana avalia que a influência negativa da crise no mercado imobiliário dos EUA sobre a atividade econômica deve ser compensada pela solidez do mercado de trabalho, ou seja, essa força precisa ser confirmada pelos números para que a situação não fique ainda pior.

Entretanto, divulgado nesta quarta-feira, dados da ADP Employer Services, interpretados como uma prévia do payroll, sinalizaram a abertura de 48 mil postos de trabalho no setor privado, enquanto a expectativa de alguns analistas era de que fossem criados cerca de 100 mil vagas em julho.

Além de ficar abaixo do esperado, o número sugere, segundo a National Employment Report, uma desaceleração do emprego, já que o mês de junho foram criadas 150 mil vagas, ou seja, por enquanto, em relação ao mercado de trabalho as notícias não estão tão positivas.

Enfim, nos próximos dias os mercados continuarão de olho em qualquer novidade sobre a crise no mercado de crédito subprime. O noticiário corporativo, se trouxer boas notícias, até pode facilitar "as coisas", mas só deverá ajudar a renovar a força compradora caso o setor imobiliário e, na sexta-feira, o Employment Report, assim o permitam.

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